Mudanças através da Terapia dos Esquemas.

A terapia do esquema é uma técnica utilizada dentro da abordagem cognitivo comportamental, que integra também elementos de outras abordagens, como por exemplo a psicodinâmica. O propósito é auxiliar  pacientes que por diferentes razões não são beneficiados pelas modalidades terapêuticas tradicionais, transtornos de personalidade,  insatisfação crônica, queixa vaga, inflexibilidade psicológica, rigidez na forma de pensar, depressão, ansiedade, traumas de infância, problemas de relacionamento interpessoal e de ordem afetiva.

O tempo pode variar em relação a médio e longo prazo. O trabalho inicia na investigação das origens dos problemas apresentados, estabelecendo importante conexão entre experiências passadas e atuais. A identificação dos esquemas e sua origem ocorre através da  entrevista sobre a história de vida, questionários  ( inventários de Young ) e tarefas de auto monitoramento diário. São utilizadas técnicas cognitivas, vivenciais e comportamentais, bem como o trabalho através da  relação terapêutica e confrontação empática. Outra importante ênfase está no trabalho através da reparação parental limitada, que tem como propósito trabalhar as necessidades emocionais do paciente não atendidas na infância. A partir destes entendimentos, o paciente é auxiliado treinar sua consciência psicológica, ou seja, exercer o controle consciente sobre seus esquemas, com o intuito de enfraquecer suas memórias, crenças e comportamentos problemáticos.

Esquemas são  padrões de funcionamento  que  iniciam desde cedo ( infância e adolescência ), que se formam através do que vimos, pensamos e sentimos , sendo reforçados de acordo com as experiências que se repetem ao longo da vida. São originados a partir de experiências negativas e repetidas durante a infância e adolescência, incluindo as necessidades emocionais não atendidas ou não preenchidas de modo satisfatório por pessoas significativas ( pai, mãe, cuidadores e familiares mais próximos). Nem todos os esquemas são originados por traumas ou maus tratos na infância. É o exemplo do esquema de dependência/incompetência que pode se formar a partir da superproteção por parte dos pais. Os esquemas quando ativados, acionam uma forma pronta de pensar, sentir e agir.

A terapia dos  esquemas tem como finalidade, auxiliar o paciente a identificar e modificar seus esquemas negativos que causam prejuízos em suas vidas. Através do exercício da consciência psicológica o paciente adquire algum controle sobre sua forma de pensar e respostas comportamentais, possibilitando as mudanças. O tratamento objetiva  o enfraquecimento dos esquemas e um novo repertório de pensamentos e comportamentos.

A cura de esquemas corresponde ao enfraquecimento da ativação dos mesmos e requer disposição para o enfrentamento, consciência psicológica, disciplina, mudança de pensamentos e adoção de novas práticas comportamentais.

Recasamento: Construindo um novo relacionamento.

Atualmente é grande o número de casais que se divorciam e optam pelo recasamento. Estudos apontam que 50% dos primeiros casamentos terminam em divórcio e deste número, 65% das mulheres e 70% dos homens casam novamente. Neste número não está contabilizado o número de pessoas que casam de novo após a morte do cônjuge e os casais que vivem juntos numa segunda família sem o casamento no civil ou união estável. Desta forma fica entendido que de fato é bem significativo e crescente o número de casais “recasados”. O fato de ser um  recasamento, não significa um casamento feliz para sempre, muito pelo contrário, é bastante comum estas relações seguirem ao rumo do fracasso e conseqüentemente do rompimento por diversos motivos.

As novas configurações familiares incluem novos papéis não muito comuns nas famílias mais tradicionais de décadas atrás constituídas por pais, filhos e irmãos. A família moderna inclui os novos papéis de padrasto, madrasta e enteados. A partir destas novas configurações, o recasamento trás novos dilemas somados aos problemas inerentes a natureza de qualquer casal, relacionados à rotina, comunicação, sexo, educação dos filhos,  questões de ordem financeira e assim por diante. O casal recasado precisa lidar com questões potencialmente conflituosas como a reconstrução de uma nova relação conjugal, filhos do casamento anterior, novos ajustes no sistema fraternal ( irmãos ) e o convívio com o ex cônjuge em função dos filhos em comum . Trata-se de um processo de transição e reconstituição entre famílias que se caracteriza na maioria das vezes como um período de crise até o seu devido ajuste em virtude da construção familiar não acontecer de forma gradativa e sim através de rearranjos. São trazidas para o novo casamento, questões já existentes, como a demanda de filhos, rotina, responsabilidades e compromissos bem definidos. O casal é acometido por problemas relacionados à falta de privacidade e tempo para si em virtude de duas vidas já estruturadas. É um desafio que requer jogo de cintura e a construção de uma relação com bases em dados de realidade e não mais idealizações. O ideal perde espaço para o real e o afeto se consolida de forma madura e não muito romântica.

Um aspecto bem importante para o bom prognóstico do recasamento, são os fatores relacionados à evolução pessoal de cada um e o quanto bem resolvido está o processo de separação. De nada adianta ingressar em um novo casamento se existem questões pendentes em termos afetivos e emocionais trazidas do relacionamento anterior. Os motivos mais comuns atribuídos ao fracasso do recasamento estão relacionados com problemas envolvendo os ex-cônjuges e também dificuldades para lidar com os filhos do casamento anterior. Muito freqüentemente os casais em seus papéis de madrasta e padrasto colocam-se em condição de disputa e competição com seus enteados, principalmente quando existem questões de ciúmes ou não aceitação por parte do pai ou mãe do enteado(a). É preciso a compreensão de que existe uma história anterior a qual não pode ser apagada principalmente quando existem filhos. O recasamento inicia a partir do meio do caminho, sucedendo o ciclo de vida de uma família anterior. Pode ser visto de modo negativo no sentido de existir uma bagagem que armazena memórias, aprendizagens e cicatrizes representando ser uma ameaça na vida do casal ou de modo positivo, através da interpretação de ser uma experiência que poderá auxiliar como um guia naquilo que pode ser repetido, aprimorado ou deletado. Muitos casais perdem um tempo desnecessário direcionando atenção aos resquícios da relação anterior, não permitindo espaço para suas próprias construções tanto a nível individual como casal.

Entre os desafios e habilidades a serem desenvolvidas por parte dos casais, para que a nova relação possa dar é possível citar  tolerância, paciência, flexibilidade, confiança e entendimento para acomodação das memórias e sentimentos relacionados a desconfiguração do casamento anterior de modo a ceder o devido espaço para uma nova configuração relacional ( recasamento ). A consolidação e o sentimento de pertencer a uma nova família pode levar em média de 3 a 5 anos considerando este tempo o necessário para os devidos ajustes, manejos e rearranjos. Trata-se de um contexto complexo, mas que se bem manejado em termos de  adaptação é possível ser reconstruído de forma positiva e consistente, garantindo assim a união e a felicidade conjugal.

Relacionamento: um trabalho a dois.

O relacionamento é constituído por duas pessoas , sendo o compromisso uma  via de mão dupla, cujas responsabilidades do que dá ou não certo  pertencem ao casal .  Em outras palavras, ambos devem participar ativamente na construção e ajustes da relação de modo contínuo enquanto a opção for manter o relacionamento.  As diferenças existem não para afastar e sim para que um possa complementar o outro na formação do casal. É somente através da complementaridade que se forma a união, sendo possível que ambos caminhem lado a lado. Do contrário, a relação assume características de rivalidade   cujo propósito maior é a defesa das necessidades e razões de cada adversário.

É muito comum observar entre os casais, a tendência por parte de ambos em concentrar atenção nas faltas do outro.  Quando um culpa o outro pelos problemas e insatisfações é muito  provável que a relação enfraqueça propiciando um clima de adversidade. Os esforços devem ser no sentido do casal desenvolver estratégias que ajudarão  seja na solução dos conflitos , no ajustes das dificuldades ou na superação de uma crise e não no duelo de quem está certo ou errado.  Para alcance do entendimento mútuo é preciso abrir mão das armas e das condutas de ataque que levam o outro a interpretar a situação como ameaça, desenvolvendo afetos negativos e conseqüentemente comportamentos defensivos .   Quando o casal fica preso no combate, com resistência por parte de ambos em ceder, vem o afastamento e as interpretações negativas são superestimadas  como por exemplo:       “ Ele(a) é muito difícil!” Esta afirmação ganha força no momento em que são filtradas apenas as informações que confirmem esta visão. Até mesmo quando não há situações concretas a serem filtradas, é possível que as atitudes do outro sejam interpretadas de forma distorcida , justamente para que aquilo que está sendo pensado e dito, seja confirmado. Na verdade esta afirmação pode estar refletindo a dificuldade de entendimento que se trava entre o casal e não que o outro seja uma pessoa difícil. É mais fácil culpar o outro do que pensar sobre o que de fato está acontecendo na relação e na parcela de responsabilidade que cada um tem perante as dificuldades e desentendimentos. Uma boa dica é não acreditar 100% nas interpretações em relação ao outro, em momentos de discórdia e insatisfações e sim entender que se trata apenas de uma percepção e não uma avaliação real e objetiva. Quando os impasses são resolvidos, estas interpretações mais contaminadas ( ou em outras palavras distorcidas ), são corrigidas e o outro passa a ser visto de forma mais realista e positiva.

Os afetos negativos exercem grande poder em relação à como o outro é visto em determinado momento.  Um exercício importante, capaz de realmente ajudar o casal a reduzir as interpretações negativas em relação ao  julgamento um do outro,  consiste no treino diário  em que ambos desenvolvem formas mais positivas  de se verem mutuamente e de agir. Em outras palavras seria adotar atitudes mentais e comportamentais positivas em relação ao outro. Isso porque a tendência é o negativo exercer sempre um poder destrutivo sobre o positivo. Às vezes um simples ato negativo como por exemplo um xingamento, impera sobre todo um conjunto de atitudes positivas.

A maioria dos casais apresentam importantes diferenças entre si que necessitam de ajuste para equilíbrio da relação. É preciso que ambos possam treinar habilidades no ceder e flexibilizar sem que isso seja encarado como submissão, passividade ou fraqueza e sim maturidade e disposição para adaptar-se melhor ao outro em benefício da relação. Às vezes é preciso que um possa dar o primeiro passo  rumo aos ajustes e entendimento, mesmo que o outro ainda pareça resistente, para injetar novo formato ao relacionamento. O movimento de mudança, mesmo que inicialmente seja unilateral é sempre positivo , provocando mudanças positivas no outro e na relação. Faz sentido lutar para aparar as arestas e aumentar a satisfação mútua , trabalhando as expectativas realistas e aceitação de que  nenhum casal por mais “ perfeito “ que seja, se harmoniza em todos os aspectos e vive feliz 100% do tempo.

Psicologia e Espiritualidade: Uma integração que pode dar certo.

Um assunto muito atual mas ainda polêmico por cruzar duas importantes fronteiras do conhecimento: Espiritismo e Psicologia.  O espiritismo apesar de ser considerado uma grande tendência, presente na crença e filosofia da vida de muitas pessoas, incluindo profissionais da  área, ainda sofre alguns conflitos em relação à integração com a ciência da psicologia.

Os conselhos de psicologia advertem a importância por parte dos profissionais da distinção entre estas duas racionalidades, devido à observação de que em alguns casos as fronteiras do conhecimento tradicional e científico não são respeitadas. Nestes casos é possível exemplificar profissionais da área da psicologia, que utilizam em suas técnicas psicológicas a integração do esoterismo. Não é permitido por parte do psicólogo , infringir em sua prática o código de ética profissional, submetendo os pacientes a tratamentos fora do cunho científico. Não se trata de certo ou errado e nem mesmo com quem está a razão e sim  na implicação de questões éticas, já que o código de ética é bem claro no que diz respeito à associação do conhecimento da psicologia com conhecimentos de outra ordem. Outra importante questão de ordem ética é o cuidado que o psicólogo deve ter a não induzir seu paciente a nenhum tipo de crença e religião .

Os conselhos de psicologia reconhecem que a psicologia e a espiritualidade, transitam em campo comum sendo fundamental o entendimento do diálogo entre estes dois conhecimentos, razão pela qual buscam alertar a  cautela por parte dos profissionais, bem como a busca pela informação e orientação. Também é reconhecido que a psicologia apresenta uma dimensão espiritual mas não religiosa, sendo esta zona de conflito a razão que remete a necessidade do aprofundamento no debate da interface Psicologia com a Espiritualidade e saberes tradicionais. A OMS compreende que a integração do saberes tradicionais é articulável aos saberes científicos, daí a importância do diálogo das duas áreas para maior compreensão da subjetividade e interfaces estabelecidas pela psicologia com outras ciências e religiões.

Atualmente existem importantes estudos e movimentos com a finalidade de aproximar a psicologia com as religiosidades e saberes tradicionais. A doutrina espírita apresenta certo dinamismo que dentro de suas crenças e lógicas, possibilita ao ser humano adotar sua filosofia de vida , traçando um caminho sem que este seja afastado do conhecimento científico. Desta forma a psicologia espírita  ainda não é uma abordagem e nem estilo terapêutico, mas sim a possibilidade de uma expressão que integra saberes conectados pelos conhecimentos da ciência do campo da psicologia e a filosofia de vida do espiritismo , investigando o que há em comum entre as duas áreas. A idéia é empregar uma visão transdisciplinar  que visa a integralidade do ser humano ( mente, corpo e espírito ) respeitando as fronteiras de ambos os saberes.

A psicologia transpessoal é uma tendência moderna que mais se aproxima com as questões da espiritualidade, tendo como um dos seus fundadores Abraham Maslow. Nasceu nos anos 60 a partir das experiências com estados alterados da consciência considerando estados provocados pelo uso de substâncias alucinógenas até vivencias místicas espirituais. Permite a integração dos princípios de diferentes correntes psicológicas, com postulados da física quântica e entendimentos budistas. Busca compreender o ser humano a partir de conhecimentos que vão além da mente e do espírito, englobando a totalidade das diferentes partes. Reconhece  a espiritualidade e necessidades transcendentais, como aspectos inerentes da natureza humana. É definida por Maslow como a quarta força da psicologia que sucede as correntes do Behaviorismo, Psicanálise e Humanista.

 

 

Um dilema chamado Trabalho de Conclusão

Hoje vou falar sobre o dilema na vida dos estudantes nesta época do ano que se chama TCC. O trabalho de conclusão de curso representa  para maioria um verdadeiro terror, sendo um estressor capaz de interferir seriamente em outras áreas da vida ( como por exemplo, pessoal e profissional) e provocar intenso estado de ansiedade, alterações no sono e sintomas depressivos. Entre os pensamentos recorrentes estão as crenças de incapacidade. Em termos comportamentais, uma das condutas   mais presentes está a procrastinação . Mas por que isso tudo acontece?

A resposta é complexa , pois envolve diferentes linhas de entendimento, entre elas a existência do fenômeno chamado “ bloqueio do escritor ou bloqueio criativo”  que envolve  a perda temporária da habilidade de escrever e produzir, por falta de inspiração, criatividade, segurança ou até mesmo motivação. Existe também a síndrome do estudante que se refere ao fato de que muitos estudantes só conseguem se dedicar efetivamente a uma tarefa próximo ao seu prazo final. Não importa a causa, a grande questão é a inibição do comportamento de produzir que resulta como resposta o estresse, a procrastinação e a negação do que precisa ser feito. A procrastinação não necessariamente está associada ao bloqueio do escritor ou a síndrome do estudante, podendo ser um comportamento independente, presente devido às questões relacionadas ao mau gerenciamento do tempo, perfeccionismo e crenças de incapacidade. As pessoas procrastinam quando não gostam do que precisa ser realizado ( priorizando atividades mais prazerosas),  por ativação das crenças de incapacidade , perfeccionismo,  dificuldades no planejamento e organização ou por perceberem negativamente suas responsabilidades.  O estudante normalmente sente-se dominado pela pressão, tensão, perda do foco e incertezas quanto à sua eficiência e produtividade, razões que o levam a procrastinar como tentativa de solucionar temporariamente estas questões negativas. Tal comportamento vira um ciclo de atraso e acúmulo do que precisa ser feito, gerando um efeito debilitante na vida pessoal .

Entre as técnicas psicoterápicas, capazes de auxiliar neste processo estão as cognitivas e comportamentais. A finalidade é serem trabalhada as  inseguranças e medos ( muitas vezes irreais ) de modo a substituir comportamentos paralisantes por respostas de ação e condutas adaptativas. O foco do problema é substituído, ou seja, ao invés de focar a dificuldade no produzir, orienta-se os objetivos  em direção à modificação no modo de relacionar-se com problema. Adota-se a seguinte auto instrução: “A situação não pode ser modificada , mas eu posso modificar como me relacionar às dificuldades que percebo no problema, encontrando estratégias funcionais de enfrentamento , orientadas para a solução.”

Alguns conceitos importantes a serem trabalhados do ponto de vista cognitivo estão a criatividade , auto eficácia e pensamento produtivo. A solução de problemas requer formas de atuação criativa, aumento do pensamento produtivo cujo objetivo é o interesse voltado para a descoberta de como a auto eficácia pode ser maximizada e as reações emocionais negativas minimizadas. O primeiro passo é a análise da situação-problema, sendo listados os possíveis problemas e estratégias para enfrentamento e solução dos mesmos. Entre as situações problemáticas previstas, estão as questões pessoais e   externas que podem interferir negativamente no processo.

Para o planejamento, são traçados objetivos realistas  a serem alcançados a curto, médio e longo prazo e o que cada um exige para sua execução. Técnicas de relaxamento são indicadas tanto na fase inicial de planejamento para a criação das alternativas como na fase de execução. O relaxamento minimiza a reatividade cognitiva e emocional negativa, auxiliando na produção de idéias, criatividade, desempenho e produtividade. A distração também é muito usada na fase da execução objetivando a mudança do foco em momentos em que as cognições entram em estado de exaustão, dificultando ou até mesmo paralisando a produtividade. Quando o estudante insiste em prosseguir sob efeito da exaustão, inicia-se um ciclo  que ativa e reforça cognições e emoções negativas resultando em comportamentos disfuncionais, uma vez que não é possível produzir quando se está muito cansado.

É preciso anular qualquer situação, pensamento ou comportamento que interfira negativamente nas expectativas de conduzir todo o processo ( desde o planejamento à execução ) de modo satisfatório. Um dos objetivos consiste em facilitar a adoção de habilidades e estratégias positivas para a resolução das dificuldades, aumentando, portanto, a motivação no envolvimento do trabalho, mesmo perante as adversidades e obstáculos. Entre as dicas práticas que podem auxiliar na fase da execução:

  • Em caso de bloqueio no momento da escrita, experimente focar em uma escrita mais livre. O bloqueio pode ser apenas uma conseqüência da insegurança para iniciar.
  • Se o bloqueio surgir ao longo da execução, pare! Procure fazer um relaxamento ou distrair-se mudando o foco para que seu cérebro possa descansar.
  • Respeite seu ritmo e plano de trabalho. Trabalhe de acordo com os seus objetivos a curto, médio e longo prazo.
  • Faça intervalos regulares, não espere que seu cérebro entre em exaustão cognitiva.
  • Pense que o feito é melhor do que o perfeito.
  • Substitua a crítica por pensamentos positivos que possam auxiliar no processo.
  • Programe as tarefas destinadas ao trabalho ( seja a escrita ou leitura) para horários estratégicos. Descubra qual é o melhor horário para você em relação à sua produtividade.
  • Não espere sentir desejo ou muita disposição para produzir. Ative seu comportamento para focar no que precisa ser feito.
  • Cultive pensamentos e adote comportamentos que possam auxiliar na produção e não na paralisação.
  • Preste atenção nas condutas e pensamentos de auto sabotagem, pois só servem para reforçar as crenças de incapacidade e a procrastinação.
  • Enfrente o estresse com condutas resilientes.
  • Não deixe para depois o que pode ser feito hoje. O acúmulo é uma estratégia auto sabotadora.
  • O horário que você determinar para dedicar-se ao seu trabalho, deve ser exclusivo ao propósito, portanto, tenha atenção aos outros estímulos que possam atrapalhar sua produtividade, como por exemplo: internet, redes sociais, televisão, celular, barulhos e conversas paralelas.
  • Não compare seu ritmo ou sua produtividade com seus colegas. O foco deve ser na sua produção.
  • Converse com colegas, familiares, amigos ou com o seu terapeuta sobre suas ansiedades. Troque idéias. Esteja aberto as novas condutas e estratégias.
  • Faça exercícios. A atividade física estimula a criatividade, alivia a ansiedade e o estresse.
  • Cuide bem da sua alimentação, pois você precisa de energia e disposição para ser criativo e produzir.
  • Durma o suficiente para sentir-se descansado, pois você precisa de disposição para ser criativo e produzir.
  • Fique atento aos sintomas de ansiedade e busque ajuda se for preciso.
  • Não condicione o inicio da escrita à leitura de várias referências bibliográficas. Seja seletivo e objetivo.
  • Não adote comportamentos extremos como, por exemplo, o isolamento social . Não deixe que sua vida seja dominada e controlada apenas pelo seu TCC.
  • Relaxe! Respire fundo e prossiga sempre!

 

Automutilação, um problema ou modismo?

A conduta que até então era considerada um grave distúrbio psiquiátrico, passou a ser moda entre os adolescentes, que muitas vezes competem entre si o limiar da dor, confundindo desta forma o diagnóstico.  A dor psíquica pode corresponder  os estados que provocam intensa angústia. Mas o que é angústia?

Angústia é um sentimento cuja sensação é o vazio interno, a falta de palavras, representação e significado. É um estado de desamparo psíquico, podendo ser comparado ao terror sem nome, como um bebê que sente dor, sem saber o que está sentindo e chora para comunicar seu desconforto sem receber amparo. A impossibilidade do adolescente  lidar com este turbilhão de estados e sentimentos, seja por falta de recursos internos ou habilidades, faz com que adote a conduta da automutilação. É uma  tentativa de diminuir a angústia, pois perante a dor física,  o cérebro produz endorfinas com objetivo de aliviá-la.  Esse alívio da dor física, também reflete na sensação de diminuição da angústia. Esta conduta torna-se um ciclo vicioso, pois toda vez em que a  pessoa depara-se com estados psíquicos intoleráveis, como por exemplo, a tristeza profunda,  recorre a automutilação, para sentir o alívio produzido pelo cérebro perante a liberação da endorfina.

O perfil do adolescente automutilador, inclui características relacionadas a introspecção, instabilidade afetiva,  retraimento e o distanciamento social/ familiar. São pessoas que apresentam dificuldade para falar sobre seus sentimentos. Na internet existem grupos de adolescentes praticantes da automutilação que encontram apoio, bem como um espaço para falar sobre o assunto,  já que trata-se de uma conduta reprovada pela família e sociedade. Geralmente  adolescentes escondem da família esta prática. Devido ao sentimento de vergonha, inadequação e reprovação raramente pedem ajuda.

Em alguns casos a automutilação encerra por si seu ciclo e aos poucos a pessoa deixa de praticá-la, porém, existe a forte tendência da conduta ser agravada. O tratamento consiste no apoio da família, através de afeto, confiança e segurança. O diálogo é importante, porém, nesta fase ( adolescência ), a postura mais reservada perante a família é normal. Acompanhamento médico, medicação e psicoterapia, são recursos essenciais. É importante sempre salientar que a medicação deve ser avaliada, prescrita e acompanhada pelo médico psiquiatra.

O acompanhamento psicológico é de extrema importância, pois é o espaço em que o adolescente é acolhido e autorizado a falar sobre suas angústias de forma segura, sem julgamentos ou críticas. As intervenções consistem no acolhimento, formação de vínculo seguro, escuta, empatia, esclarecimento, orientação, treinamento de habilidades para tolerar sentimentos como a angústia, tristeza, raiva, culpa e frustração. O trabalho inclui a família que muitas vezes também é encaminhada para acompanhamento através da orientação familiar.

Ansiedade: Saiba como a psicoterapia cognitiva pode ajudar.

Como a psicoterapia cognitiva pode ajudar na ansiedade?

Entre as opções de tratamento psicoterápico para ansiedade, está a abordagem cognitiva. A terapia cognitiva é um tratamento psicológico organizado e sistemático que ensina as pessoas a mudarem os pensamentos, crenças e atitudes que desempenham um papel importante nos estados emocionais negativos como a ansiedade.

A idéia central da terapia cognitiva é que os pensamentos influenciam os sentimentos que interferem no comportamento. O tratamento é breve e altamente estruturado que se dá por meio da palavra e se concentra nas vivências cotidianas , ensinando as pessoas na identificação, avaliação e mudança de seus pensamentos automáticos disfuncionais, através da avaliação sistemática e planos de ação cognitivo e comportamental. Pode varias de 6 a 20 sessões semanais individuais, com possibilidade de ser quinzenal na fase próxima ao término. São incluídas as seguintes fases:

Avaliação: O terapeuta avalia  a natureza do problema relacionado à ansiedade através de instrumentos de avaliação e questionamentos direcionados aos sintomas e história de vida atual e pregressa. O objetivo é a compreensão da natureza da ansiedade e o desenvolvimento de um plano de tratamento.

Intervenção: Visa identificar e ajustar os pensamentos automáticos e crenças disfuncionais relacionados à ansiedade, bem como colocar em prática o plano de ação , através das técnicas cognitivas e comportamentais.

Término: As sessões concentram-se nas habilidades cognitivas e comportamentais desenvolvidas para manejo da ansiedade, bem como o controle de episódios relacionados as recaídas.

Geralmente a estrutura de cada sessão se resume na revisão da presença dos sintomas da semana, avaliação do plano da sessão anterior, trabalho dos tópicos específicos através da identificação, avaliação e modificação cognitiva, elaboração da tarefa de casa ( plano de ação )  e resumo da sessão ( feedback). Entre os fatores terapêuticos, importantes estão a psicoeducação , questionamento socrático,  descoberta guiada e boa relação terapêutica. Por parte do paciente é importante a presença de motivação, expectativa positiva e boa capacidade de comunicação no sentido de conseguir abordar de  modo crítico e investigativo  as situações do dia a dia, pensamentos, sentimentos e comportamentos.

A Terapia Cognitiva é recomendada como um tratamento de primeira escolha  para os transtornos de ansiedade, sendo comprovado por estudos científicos clínicos  ser eficaz na redução e controle  dos sintomas. Outro dado importante apontado pelos estudos corresponde ao fato de que a psicoterapia produz uma melhora duradoura do que apenas o uso da medicação sem acompanhamento terapêutico.

Quando a ansiedade é um problema?

Quando a ansiedade é um problema? Saiba diferenciar a ansiedade normal da ansiedade patológica.

Atualmente muito se houve falar sobre a ansiedade,  sendo um tema que já se tornou bastante generalizado e que acomete grande parte da população. Facilmente o mal estar psíquico recebe o diagnóstico de ansiedade, rotulando a maioria das pessoas como ansiosas. Na verdade a ansiedade faz parte da natureza humana devido  relação com as incertezas, preocupações, medos e estados de apreensão. É difícil viver uma vida em estado de completa tranqüilidade e segurança, portanto, certo nível de ansiedade é normal e necessário para a sobrevivência.

A ansiedade torna-se um problema quando ultrapassa os níveis adequados em relação à freqüência e persistência dos sintomas gerando significativo prejuízo e sofrimento na vida da pessoa.  Uma pessoa que sofre de ansiedade em seus níveis alterados ( intensidade, freqüência e persistência dos sintomas ) e que tem áreas de sua vida afetada, pode ser considerada ansiosa e certamente sofre da ansiedade clínica. As pessoas ansiosas estão propensas a desenvolverem transtornos de  ansiedade como, por exemplo, o transtorno de ansiedade generalizada, pânico, fobias, TOC ( transtorno obsessivo compulsivo) , TEPT ( transtorno de estresse pós traumático ) e ansiedade de separação. Entre outros transtornos, a pessoa  fica mais sensível e reativa ao estresse , podendo também desencadear episódios depressivos.

Sintomas

Os sintomas de ansiedade incluem alterações a nível  cognitivo, emocional e comportamental ,  ou seja, quando se está ansioso, o  modo de pensar, sentir e se comportar é diferente e acentuado .  O corpo também responde aos estados de intensa ansiedade, resultado nos sintomas físicos. Entre alguns dos variados sintomas estão:

Cognitivos

  • Medo de perder o controle
  • Medo de não ser capaz ou de não conseguir algo
  • Medo de algum acontecimento trágico ou desfechos negativos
  • Medo de morrer, adoecer ou enlouquecer
  • Dificuldades de concentração e atenção
  • Percepção alterada ou potencializada da realidade
  • Superestimação do perigo e da ameaça
  • Confusão mental e esquecimentos
  • Dificuldade de raciocínio
  • Negativismo
  • Preocupação

Comportamentais

  • Evitação e fuga das situações temidas
  • Busca de segurança
  • Agitação e inquietação motora
  • Falar muito
  • Trocar palavras
  • Retraimento e isolamento
  • Insônia
  • Irritação

Emocionais

  • Angustia
  • Apreensão
  • Tensão
  • Frustração
  • Impaciência

Físicos

  • Falta de ar
  • Taquicardia
  • Sudorese
  • Tremor
  • Sensação de desmaio
  • Alteração da pressão arterial
  • Náusea

 

Entendendo a ansiedade

Os sintomas variam de um episódio para outro, de pessoa para pessoa e também na mesma pessoa, portanto as crises e os estados de ansiedade nem sempre são iguais.  Pode inclusive ser difícil em alguns casos, distinguir a ansiedade normal da anormal, cabendo a um profissional da saúde mental avaliar a intensidade e freqüência dos sintomas, bem como o grau de interferência  na vida diária .  A ansiedade chamada clínica, pressupõe a presença de uma significativa alteração, caracterizada por uma tendência  perceptiva e emocional exagerada, negativista , catastrófica, irrealista, intensa, persistente e generalizada.

A ansiedade geralmente está orientada para o futuro, sendo acompanhada do medo perante a percepção real,   potencializada ou imaginária de situações relacionadas ao perigo , desconhecido, ameaça  ou incertezas.   Na maioria das vezes o estado apreensivo está relacionado ao questionamento “E se?”  que está associado  a estados de vulnerabilidade,  intolerância as incertezas e impossibilidade de controlar e prever o futuro.

A mente ansiosa

O processo cognitivo é o maior responsável pelo desencadeamento e reforço da ansiedade. O modo como pensamos, pode determinar se o estado ansioso se intensifica, persiste ou diminui. Em outras palavras,  a ansiedade diminui naturalmente se não for dada a devida atenção.  O tratamento da ansiedade requer consciência e atenção psicológica , pois geralmente os pensamentos são automáticos, ou seja, a pessoa somente percebe as alterações emocionais. O cérebro automaticamente sofre influência das crenças ativadas e das experiências armazenadas , examinando o ambiente na busca de sinais de perigo e ameaça , resultando na percepção ansiosa e na expectativa apreensiva. Este processo superestima o perigo e a ameaça, subestimando a capacidade pessoal para o enfrentamento das situações aversivas ou temidas. São ativadas crenças ( pensamentos ) de incapacidade e vulnerabilidade que distorcem a realidade. Em outras palavras, a ansiedade distorce as cognições fazendo com que o foco seja concentrado no perigo, na  vulnerabilidade, ameaça e impotência.

A comunicação sexual na vida do casal

A comunicação é um dos principais recursos positivos na vida do casal, devendo ser investida e preservada. Obviamente depende de diferentes fatores que estão relacionados às questões de cada um ( capacidade de comunicação ) e da própria relação.  Quanto mais   cumplicidade e intimidade, maior será a chance da presença de uma comunicação saudável, livre de bloqueios e deficiências.  Obviamente, para ser possível falar sobre sexo é importante que o casal saiba comunicar-se no dia a dia, pois esta é a base que permite avançar para a comunicação sexual que exige acima de tudo intimidade na vida a dois. Sem intimidade dificilmente será possível falar sobre sexo. O sexo é uma área importante na vida do casal e deve ser falado com a mesma naturalidade com que se fala sobre as finanças,  questões pessoais de cada um, problemas da relação, trabalho, projetos, educação dos filhos, amenidades do dia a dia e da vida, entre tantas outras questões.

Apesar de vivermos uma geração  mais “educada sexualmente” em comparação com algumas décadas atrás, ainda existem preconceitos e tabus entre os casais na hora de falar sobre sexo .  A origem do bloqueio na comunicação sexual está ligada a diferentes razões, entre elas questões relacionadas à inibição, repressão, timidez, cultura familiar, medo do resultado negativo de  uma conversa franca e direta, crenças de não ser importante esta comunicação, negação das dificuldades sexuais, receio de exposição  e a visão apreendida do sexo ser assunto proibido.  São diversas motivações que geram ansiedade e condutas de evitação  quando o assunto é sexo. A inibição  é limitadora , impedindo até mesmo que seja pensado sobre o assunto, privando o casal da possibilidade pela busca de   entendimento  sobre as questões sexuais que norteiam a relação. Sem a comunicação sexual, os desajustes   quando presentes são mantidos,  instalando a insatisfação   e gerando problemas na vida do casal que muitas vezes são deslocados para outras áreas e manifestados de diferentes maneiras , como por exemplo o desejo por terceiros, infidelidade, agressividade, mau humor, afastamento , discórdias, discussões freqüentes e desgastes.

O conceito de sexo está ligado à vida, saúde, aliança entre duas pessoas,  intimidade física e psíquica, portanto deve ser  uma questão acolhida, cuidada e encarada  com maior naturalidade. Estudos apontam que a insatisfação sexual é um dos principais fatores responsáveis pelo divórcio .  Quando o casal consegue falar livremente  sobre seus desconfortos e ansiedades sexuais,  preferências, fantasias e vontades, são diminuídas as chances do divórcio e reforçado o vínculo de intimidade, portanto é essencial a quebra das barreiras que impedem  a comunicação sexual.

A terapia de casal possibilita um espaço para que a comunicação sexual seja pensada, minimizando a censura e auxiliando no treinamento de habilidades específicas para o enfrentamento das inibições e bloqueios. O casal é auxiliado a  pensar sobre sua sexualidade de forma construtiva para o  desenvolvimento da segurança e  auto-estima sexual  perante a relação. A comunicação sexual não tem como função  apenas comunicar o negativo visando mudanças, mas também reforçar as questões positivas e favorecer novas descobertas

A dor da separação

A separação conjugal  pode ser definida como uma crise que ocorre dentro do ciclo de vida familiar e que desafia a visão de vida básica de como devemos viver a vida . Corresponde a uma interrupção do tradicional ciclo, capaz de produzir desequilíbrio e sofrimento significativo na família,  em virtude da aquisição de novos papéis,  mudanças e perdas decorrentes do processo que exigem um luto a ser elaborado. Trata-se de uma transição que compreende tarefas emocionais  que precisam ser elaboradas e completadas para a superação, favorecendo desta forma que o individuo possa prosseguir em seu desenvolvimento.

Como em outras etapas da vida, as questões emocionais não resolvidas nesta fase, continuarão como obstáculos em relacionamentos futuros. Contudo, o trauma da separação conjugal, uma vez enfrentado e manejado, é capaz de proporcionar novos espaços afetivos e produzir transformações positivas através de reestruturações e amadurecimento. Em virtude  das perdas conseqüentes, a capacidade de enfrentamento torna-se diminuída e muitas vezes a pessoa envolvida não consegue pensar de forma racional em virtude da fragilidade emocional que se torna uma ameaça ao equilíbrio psíquico.

A psicoterapia pode auxiliar o paciente que enfrenta uma separação conjugal a lidar melhor com os estressores envolvidos através dos processos de elaboração, aceitação e ressignificações. A elaboração é necessária para que o luto possa ser vivenciado de uma forma mais adaptativa, portanto é saudável que o paciente possa se conectar com sua dor, para que suas emoções e sentimentos possam ser avaliados, adaptados e futuramente transformados. A aceitação é o segundo momento, após a elaboração, que permite ao paciente pensar de forma mais racional. É o momento em que serão avaliadas as forças pessoais, capacidades de enfrentamento e recursos disponíveis para a superação. A ressignificação é o momento em que o paciente já está com a esperança instalada no futuro e nas possibilidades de superação. O desfecho desta crise é uma elaboração progressiva

A percepção de que os estressores são desafios manejáveis, auxilia no enfrentamento da crise, desta forma, o paciente é incentivado a pensar em suas conquistas de desempenho para que seu senso de autoeficácia possa ser reforçado. Acreditar no senso de auto eficácia, proporciona ao paciente um contexto seguro para as necessárias mudanças, construções, ajustes, amadurecimento e superação.

Especialista em Psicoterapia Clínica / Especialista em Terapia de Casal e Sexualidade – CRP 07/19327