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Recasamento: Construindo um novo relacionamento.

Atualmente é grande o número de casais que se divorciam e optam pelo recasamento. Estudos apontam que 50% dos primeiros casamentos terminam em divórcio e deste número, 65% das mulheres e 70% dos homens casam novamente. Neste número não está contabilizado o número de pessoas que casam de novo após a morte do cônjuge e os casais que vivem juntos numa segunda família sem o casamento no civil ou união estável. Desta forma fica entendido que de fato é bem significativo e crescente o número de casais “recasados”. O fato de ser um  recasamento, não significa um casamento feliz para sempre, muito pelo contrário, é bastante comum estas relações seguirem ao rumo do fracasso e conseqüentemente do rompimento por diversos motivos.

As novas configurações familiares incluem novos papéis não muito comuns nas famílias mais tradicionais de décadas atrás constituídas por pais, filhos e irmãos. A família moderna inclui os novos papéis de padrasto, madrasta e enteados. A partir destas novas configurações, o recasamento trás novos dilemas somados aos problemas inerentes a natureza de qualquer casal, relacionados à rotina, comunicação, sexo, educação dos filhos,  questões de ordem financeira e assim por diante. O casal recasado precisa lidar com questões potencialmente conflituosas como a reconstrução de uma nova relação conjugal, filhos do casamento anterior, novos ajustes no sistema fraternal ( irmãos ) e o convívio com o ex cônjuge em função dos filhos em comum . Trata-se de um processo de transição e reconstituição entre famílias que se caracteriza na maioria das vezes como um período de crise até o seu devido ajuste em virtude da construção familiar não acontecer de forma gradativa e sim através de rearranjos. São trazidas para o novo casamento, questões já existentes, como a demanda de filhos, rotina, responsabilidades e compromissos bem definidos. O casal é acometido por problemas relacionados à falta de privacidade e tempo para si em virtude de duas vidas já estruturadas. É um desafio que requer jogo de cintura e a construção de uma relação com bases em dados de realidade e não mais idealizações. O ideal perde espaço para o real e o afeto se consolida de forma madura e não muito romântica.

Um aspecto bem importante para o bom prognóstico do recasamento, são os fatores relacionados à evolução pessoal de cada um e o quanto bem resolvido está o processo de separação. De nada adianta ingressar em um novo casamento se existem questões pendentes em termos afetivos e emocionais trazidas do relacionamento anterior. Os motivos mais comuns atribuídos ao fracasso do recasamento estão relacionados com problemas envolvendo os ex-cônjuges e também dificuldades para lidar com os filhos do casamento anterior. Muito freqüentemente os casais em seus papéis de madrasta e padrasto colocam-se em condição de disputa e competição com seus enteados, principalmente quando existem questões de ciúmes ou não aceitação por parte do pai ou mãe do enteado(a). É preciso a compreensão de que existe uma história anterior a qual não pode ser apagada principalmente quando existem filhos. O recasamento inicia a partir do meio do caminho, sucedendo o ciclo de vida de uma família anterior. Pode ser visto de modo negativo no sentido de existir uma bagagem que armazena memórias, aprendizagens e cicatrizes representando ser uma ameaça na vida do casal ou de modo positivo, através da interpretação de ser uma experiência que poderá auxiliar como um guia naquilo que pode ser repetido, aprimorado ou deletado. Muitos casais perdem um tempo desnecessário direcionando atenção aos resquícios da relação anterior, não permitindo espaço para suas próprias construções tanto a nível individual como casal.

Entre os desafios e habilidades a serem desenvolvidas por parte dos casais, para que a nova relação possa dar é possível citar  tolerância, paciência, flexibilidade, confiança e entendimento para acomodação das memórias e sentimentos relacionados a desconfiguração do casamento anterior de modo a ceder o devido espaço para uma nova configuração relacional ( recasamento ). A consolidação e o sentimento de pertencer a uma nova família pode levar em média de 3 a 5 anos considerando este tempo o necessário para os devidos ajustes, manejos e rearranjos. Trata-se de um contexto complexo, mas que se bem manejado em termos de  adaptação é possível ser reconstruído de forma positiva e consistente, garantindo assim a união e a felicidade conjugal.