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Mudanças através da Terapia dos Esquemas.

A terapia do esquema é uma técnica utilizada dentro da abordagem cognitivo comportamental, que integra também elementos de outras abordagens, como por exemplo a psicodinâmica. O propósito é auxiliar  pacientes que por diferentes razões não são beneficiados pelas modalidades terapêuticas tradicionais, transtornos de personalidade,  insatisfação crônica, queixa vaga, inflexibilidade psicológica, rigidez na forma de pensar, depressão, ansiedade, traumas de infância, problemas de relacionamento interpessoal e de ordem afetiva.

O tempo pode variar em relação a médio e longo prazo. O trabalho inicia na investigação das origens dos problemas apresentados, estabelecendo importante conexão entre experiências passadas e atuais. A identificação dos esquemas e sua origem ocorre através da  entrevista sobre a história de vida, questionários  ( inventários de Young ) e tarefas de auto monitoramento diário. São utilizadas técnicas cognitivas, vivenciais e comportamentais, bem como o trabalho através da  relação terapêutica e confrontação empática. Outra importante ênfase está no trabalho através da reparação parental limitada, que tem como propósito trabalhar as necessidades emocionais do paciente não atendidas na infância. A partir destes entendimentos, o paciente é auxiliado treinar sua consciência psicológica, ou seja, exercer o controle consciente sobre seus esquemas, com o intuito de enfraquecer suas memórias, crenças e comportamentos problemáticos.

Esquemas são  padrões de funcionamento  que  iniciam desde cedo ( infância e adolescência ), que se formam através do que vimos, pensamos e sentimos , sendo reforçados de acordo com as experiências que se repetem ao longo da vida. São originados a partir de experiências negativas e repetidas durante a infância e adolescência, incluindo as necessidades emocionais não atendidas ou não preenchidas de modo satisfatório por pessoas significativas ( pai, mãe, cuidadores e familiares mais próximos). Nem todos os esquemas são originados por traumas ou maus tratos na infância. É o exemplo do esquema de dependência/incompetência que pode se formar a partir da superproteção por parte dos pais. Os esquemas quando ativados, acionam uma forma pronta de pensar, sentir e agir.

A terapia dos  esquemas tem como finalidade, auxiliar o paciente a identificar e modificar seus esquemas negativos que causam prejuízos em suas vidas. Através do exercício da consciência psicológica o paciente adquire algum controle sobre sua forma de pensar e respostas comportamentais, possibilitando as mudanças. O tratamento objetiva  o enfraquecimento dos esquemas e um novo repertório de pensamentos e comportamentos.

A cura de esquemas corresponde ao enfraquecimento da ativação dos mesmos e requer disposição para o enfrentamento, consciência psicológica, disciplina, mudança de pensamentos e adoção de novas práticas comportamentais.

Recasamento: Construindo um novo relacionamento.

Atualmente é grande o número de casais que se divorciam e optam pelo recasamento. Estudos apontam que 50% dos primeiros casamentos terminam em divórcio e deste número, 65% das mulheres e 70% dos homens casam novamente. Neste número não está contabilizado o número de pessoas que casam de novo após a morte do cônjuge e os casais que vivem juntos numa segunda família sem o casamento no civil ou união estável. Desta forma fica entendido que de fato é bem significativo e crescente o número de casais “recasados”. O fato de ser um  recasamento, não significa um casamento feliz para sempre, muito pelo contrário, é bastante comum estas relações seguirem ao rumo do fracasso e conseqüentemente do rompimento por diversos motivos.

As novas configurações familiares incluem novos papéis não muito comuns nas famílias mais tradicionais de décadas atrás constituídas por pais, filhos e irmãos. A família moderna inclui os novos papéis de padrasto, madrasta e enteados. A partir destas novas configurações, o recasamento trás novos dilemas somados aos problemas inerentes a natureza de qualquer casal, relacionados à rotina, comunicação, sexo, educação dos filhos,  questões de ordem financeira e assim por diante. O casal recasado precisa lidar com questões potencialmente conflituosas como a reconstrução de uma nova relação conjugal, filhos do casamento anterior, novos ajustes no sistema fraternal ( irmãos ) e o convívio com o ex cônjuge em função dos filhos em comum . Trata-se de um processo de transição e reconstituição entre famílias que se caracteriza na maioria das vezes como um período de crise até o seu devido ajuste em virtude da construção familiar não acontecer de forma gradativa e sim através de rearranjos. São trazidas para o novo casamento, questões já existentes, como a demanda de filhos, rotina, responsabilidades e compromissos bem definidos. O casal é acometido por problemas relacionados à falta de privacidade e tempo para si em virtude de duas vidas já estruturadas. É um desafio que requer jogo de cintura e a construção de uma relação com bases em dados de realidade e não mais idealizações. O ideal perde espaço para o real e o afeto se consolida de forma madura e não muito romântica.

Um aspecto bem importante para o bom prognóstico do recasamento, são os fatores relacionados à evolução pessoal de cada um e o quanto bem resolvido está o processo de separação. De nada adianta ingressar em um novo casamento se existem questões pendentes em termos afetivos e emocionais trazidas do relacionamento anterior. Os motivos mais comuns atribuídos ao fracasso do recasamento estão relacionados com problemas envolvendo os ex-cônjuges e também dificuldades para lidar com os filhos do casamento anterior. Muito freqüentemente os casais em seus papéis de madrasta e padrasto colocam-se em condição de disputa e competição com seus enteados, principalmente quando existem questões de ciúmes ou não aceitação por parte do pai ou mãe do enteado(a). É preciso a compreensão de que existe uma história anterior a qual não pode ser apagada principalmente quando existem filhos. O recasamento inicia a partir do meio do caminho, sucedendo o ciclo de vida de uma família anterior. Pode ser visto de modo negativo no sentido de existir uma bagagem que armazena memórias, aprendizagens e cicatrizes representando ser uma ameaça na vida do casal ou de modo positivo, através da interpretação de ser uma experiência que poderá auxiliar como um guia naquilo que pode ser repetido, aprimorado ou deletado. Muitos casais perdem um tempo desnecessário direcionando atenção aos resquícios da relação anterior, não permitindo espaço para suas próprias construções tanto a nível individual como casal.

Entre os desafios e habilidades a serem desenvolvidas por parte dos casais, para que a nova relação possa dar é possível citar  tolerância, paciência, flexibilidade, confiança e entendimento para acomodação das memórias e sentimentos relacionados a desconfiguração do casamento anterior de modo a ceder o devido espaço para uma nova configuração relacional ( recasamento ). A consolidação e o sentimento de pertencer a uma nova família pode levar em média de 3 a 5 anos considerando este tempo o necessário para os devidos ajustes, manejos e rearranjos. Trata-se de um contexto complexo, mas que se bem manejado em termos de  adaptação é possível ser reconstruído de forma positiva e consistente, garantindo assim a união e a felicidade conjugal.

Depressão e Bipolaridade: O humor e suas variações.

Atualmente, muito se ouve falar sobre transtornos de humor em especial a bipolaridade e depressão. Muitas pessoas recebem estes diagnósticos em virtude da presença de sintomas bem característicos. Quando os sintomas não são muito característicos, o diagnóstico pode ser facilmente confundido, portanto uma avaliação bem sucedida requer cautela, devendo  ser realizada pelo médico psiquiatra. Mas afinal o que o transtorno bipolar e a depressão apresentam em comum?

Vamos partir do entendimento em relação ao estado eutímico. Entende-se por eutimia, a linha do humor estável e regulado em que a pessoa sente-se bem consigo mesma, reagindo de forma proporcional aos acontecimentos do dia a dia  em termos de tempo e intensidade. O ideal é que a eutimia seja o humor predominante, que serve como ponto de partida  para a transição em outros estados de acordo com os acontecimentos, devendo a reação emocional ser proporcional em termos intensidade e tempo,  retomando  ao  estado anterior ( eutimico ). De acordo com o tipo de temperamento predominante, não é possível manter a linha eutimica como ponto de partida. Vivemos uma geração de pessoas alteradas em termos de humor, em virtude das  muitas demandas, estímulos, competitividade e relações adoecidas, sendo a grande maioria acometida pelo estresse e transtornos de ansiedade . Neste caso é comum observar uma pessoa com humor ansioso como característica predominante não significando alteração de humor ou algum transtorno de ansiedade.

Entende-se por alteração do humor a oscilação pelo qual o mesmo é acometido, resultando na instabilidade e imprevisibilidade  sem motivos aparentes ou não justificáveis para tamanha reação. Um acontecimento bem manejado por alguém que não sofre de alteração de humor, pode ser um gatilho para quem apresenta este problema. Diferente da depressão que apresenta apenas a queda do humor ( partindo da eutimia ), na bipolaridade, existe a oscilação entre os diferentes estados de humores, podendo variar  entre tristeza, irritação e euforia. A euforia  apresenta duas faces, o humor enérgico e autoconfiante e por outro lado o irritado e explosivo.

A grande marca da bipolaridade é a oscilação do humor tanto para cima ( euforia ) como para baixo ( tristeza ). O pólo acima inclui os estados de hipertimia, hipomania, disforia e euforia. A hipertimia e hipomania são estados semelhantes à euforia, mas em níveis menos intenso, caracterizados pelo excesso de bom humor, energia, autoconfiança, disposição,  expansão, impulsividade, exagero nas condutas, intensidade na comunicação e sentimentos, tendência ao desafio, oposição , comportamentos de risco, entre outras características. A disforia é caracterizada pela tensão, ansiedade, irritação, crises explosivas e agitação. O pólo abaixo inclui tristeza, apatia, melancolia, angustia, desesperança, pouca energia, negativismo, passividade, isolamento, cansaço, dificuldades de concentração e alterações no apetite e sono. O humor ansioso pode estar presente nos dois pólos e consiste na preocupação, insegurança, apreensão, dispersão e inquietação.

O transtorno bipolar apresenta causas hereditárias e ambientais a partir da interação com o ambiente familiar. A medicação é  imprescindível na regulação do humor. As medicações mais utilizadas são os estabilizadores de humor. A pessoa deve manter a medicação mesmo quando se sente estável, pois um dos objetivos do tratamento é a prevenção das crises e oscilações. A psicoterapia no transtorno bipolar auxilia na psicoeducação em termos de adesão ao tratamento médico, autoconhecimento,  melhora na qualidade de vida , adaptação ao ambiente e relações interpessoais.  Sendo tratado adequadamente o prognóstico é positivo, sendo possível uma vida tranqüila e humor  regulado. É importante além da medicação e psicoterapia, o apoio dos familiares e amigos mais próximos.

A depressão como já foi dito anteriormente, não apresenta oscilação e nem instabilidade. O humor simplesmente baixa e ali fica até retomar ao estado eutímico. Muito dificilmente é possível a cura da depressão sem tratamento com medicação e psicoterapia. Em alguns casos, dependendo do nível da depressão, ou seja, se for um grau leve, é possível a melhora significativa dos  sintomas somente através da psicoterapia, mudança de hábitos, afastamento dos estressores ( situações aversivas ) e o apoio de familiares e amigos. Em nível moderado à grave o acompanhamento psiquiátrico e medicação, são imprescindíveis para a regulação dos neurotransmissores responsáveis pela sensação de prazer, bem estar, disposição iniciativa e motivação. Trata-se de um transtorno que apresenta componente hereditário e ambiental. Apesar da bipolaridade popularmente ser mais preocupante, a depressão é um transtorno grave que afeta a saúde mental e física,  interferindo negativamente nas diferentes áreas da vida. Atividade física, alimentação equilibrada,  sol, atividades prazerosas e relações significativas ( familiar, social e afetiva ) são antidepressivos naturais que auxiliam na produção de serotonina, neurotransmissor responsável pela sensação de bem estar.

Preciso de terapia?

É muito comum questionamentos por parte das pessoas que desejam iniciar terapia ou até mesmo pacientes iniciantes, sobre suas motivações e necessidades em relação ao fazer ou não psicoterapia.  Pacientes mais intermediários também não estão isentos desta condição, pois existem momentos na psicoterapia caracterizados pelo alívio dos sintomas que podem ser facilmente confundidos com o processo de alta. Neste texto, vou focar no primeiro grupo mencionado, ou seja, aqueles com interesse na terapia ou pacientes iniciantes, com o objetivo de auxiliar estas pessoas nesta tomada de decisão que sem dúvida requer elaboração a partir de necessidades conscientes ou inconscientes.

Em primeiro lugar é importante entender a finalidade do processo terapêutico para que a pessoa saiba o que está buscando e se sua perspectiva pode ser atendida através deste recurso. A psicoterapia é um recurso terapêutico que tem como objetivo auxiliar a pessoa que busca ajuda a  lidar com suas questões de natureza pessoal, emocional,  afetiva, comportamental, familiar, social e profissional, removendo ou aliviando sintomas, amenizando o sofrimento desencadeado por conflitos psicológicos , crises relacionadas ao ciclo vital ou alguma desordem provocada por dificuldades ou problemas externos. A finalidade é a construção de uma boa relação consigo mesmo e com as outras pessoas. Desta forma, a pessoa  pode optar pela psicoterapia por julgar que algo não está bem em sua vida ( ou consigo), vive alguma situação que não consegue superar sozinha entendendo ser necessário o auxilio psicológico, por questões específicas e pontuais ( interna ou externa ) ou  simplesmente visando  o autoconhecimento.

Não existe necessidade maior ou menor e sim o desejo de cada um em iniciar ou permanecer em terapia.  O que não se pode fazer é forçar uma pessoa a buscar auxilio psicológico. Muito dificilmente dá resultados a psicoterapia forçada, pois a pessoa já entra com resistência e certamente não vai interagir com o terapeuta devido à indisponibilidade interna para trabalhar suas questões. Ocorre também do paciente ingressar na terapia com questões bem pontuais relacionadas  a estressores ( eventos externos ) e logo quando os mesmos se resolvem , seja por causas naturais ou interferência terapêutica o paciente sente-se bem , com alívio imediato de seus sintomas e sofrimento. Neste caso cabe ao terapeuta auxiliar o mesmo na busca por novos focos e objetivos terapêuticos e se o paciente não desejar, deve ser considerada a possibilidade de alta.

As psicoterapias focais ou breves  consideram a alta terapêutica assim que os sintomas são aliviados , as dificuldades manejadas e estressores resolvidos. Existem diferentes abordagens com diversidades de técnicas que vão desde uma psicoterapia breve até longo prazo. Algumas abordagens entendem  que cabe ao terapeuta explorar demanda terapêutica ( necessidades, dificuldades e focos ) , auxiliando o paciente neste entendimento e engajamento no processo terapêutico. Esta exploração ocorre através de perguntas estratégicas abertas realizadas pelo terapeuta, cujo objetivo é auxiliar o paciente a falar ao máximo o que sente e pensa em relação as suas questões, áreas da vida, dificuldades e  comportamentos prejudiciais , visando refletir sobre a necessidade de alguma mudança. Esta técnica chama-se entrevista motivacional sendo indicada para pacientes que iniciam a psicoterapia ambivalentes em relação a mudança. Não existe certo ou errado, mas  sim a escolha da melhor abordagem e técnicas a serem utilizadas de acordo com o paciente. Cabe ao  terapeuta buscar  fazer o seu melhor para auxiliar o paciente em suas necessidades, respeitando seus desejos e perfil.

Bordeline: um jeito intenso de ser.

Intensidade no jeito de ser e viver. Quem não gostaria de viver intensamente as paixões, arranjar com facilidade novos amores, colecionar melhores amigos,  viver alegrias contagiantes, seduzir, ser o centro das atenções e desfrutar brilhantemente de seus talentos? Não seria uma má idéia, se a intensidade fosse apenas característica das emoções positivas, dos pontos fortes e do lado bom da vida. O problema surge perante as  variações da vida, sendo quase impossível lidar com as adversidades, principalmente com as experiências  que envolvem frustração, critica, rejeição, desaprovação,  perdas e abandono, mesmo que seja algo imaginário ou percebido de forma distorcida da realidade. Há um excesso em tudo que o que é dito e feito , sendo exagerada a maneira de pensar, sentir e agir.

Todos nós reagimos com afetos negativos perante as situações aversivas, porém quando as reações são freqüentes, intensas e desproporcionais, estamos falando de um tipo específico de personalidade chamada Bordeline, caracterizada por instabilidade nas emoções,  relações, nos afetos, humor, auto-imagem e na própria identidade.  O jeito bordeline de ser é marcado pelas seguintes características:

  • Temperamento explosivo
  • Raiva , impulsividade  e descontrole emocional.
  • Instabilidade de humor
  • Ciúme incontrolável
  • Condutas autodestrutivas
  • Dependência afetiva m
  • Medo intenso da rejeição e possibilidade do abandono,
  • Reação exagerada aos términos de relacionamento
  • Sentimentos de vazio e insatisfação crônica.

Nos momentos em baixa,  a pessoa experimenta sentimentos de vazio existencial  através das idéias de que a vida é tediosa e sem graça. Comportamentos de risco, automutilação e ideação suicida também são características da personalidade bordeline.  Geralmente são pessoas descritas por suas relações mais intimas, como instáveis e difíceis de conviver. A instabilidade nas relações afetivas é uma das principais características que leva a pessoa a sentir um enorme vazio dentro de si que nada e ninguém é capaz de preencher.  Literalmente são pessoas que vivem no limite das emoções. O excesso de sentimentos faz com que a percepção da realidade seja exagerada, seja em situações que gerem emoções positivas ou negativas. O racional perde espaço para a hemorragia emocional , sendo bastante difícil a possibilidade de aceitar e lidar positivamente com as frustrações e perdas.  Como a vida é uma variável, não sendo possível apenas viver o lado bom, é bastante grande a oscilação do humor, afetos e emoções , resultando na instabilidade da personalidade. Em seus descontroles afetivos, a pessoa pode reagir com ataques de raiva, acessos de fúria , intensa reatividade emocional e impulsividade descabida.

Apesar da facilidade em fazer novas amizades e conquistar novos amores, os relacionamentos são sempre intensos e sofridos, não sendo mantidos por muito tempo. A procura por relações substitutas é uma constante, pois  a pessoa não consegue viver sozinha, necessitando o tempo todo de parceiros amorosos para se sentir completa, exigindo atenção, provas de amor e amparo incessantemente. Neste caso é possível observar a tendência à dependência afetiva e ao apego excessivo em relação ao outro.

É importante o cuidado antes de identificar e diagnosticar uma pessoa com personalidade bordeline, pois algumas características são bastante comuns a outros tipos de personalidade. Algumas pessoas podem apresentar algumas características  bordeline e não ser um border, até porque existem outros diagnósticos como, por exemplo, a Bipolaridade e o TDAH, que apresentam características semelhantes ao funcionamento desta personalidade.   O que caracteriza de fato o transtorno de personalidade bordeline é a presença da maioria das características  bem como o padrão de freqüência e intensidade.

Relacionamento: um trabalho a dois.

O relacionamento é constituído por duas pessoas , sendo o compromisso uma  via de mão dupla, cujas responsabilidades do que dá ou não certo  pertencem ao casal .  Em outras palavras, ambos devem participar ativamente na construção e ajustes da relação de modo contínuo enquanto a opção for manter o relacionamento.  As diferenças existem não para afastar e sim para que um possa complementar o outro na formação do casal. É somente através da complementaridade que se forma a união, sendo possível que ambos caminhem lado a lado. Do contrário, a relação assume características de rivalidade   cujo propósito maior é a defesa das necessidades e razões de cada adversário.

É muito comum observar entre os casais, a tendência por parte de ambos em concentrar atenção nas faltas do outro.  Quando um culpa o outro pelos problemas e insatisfações é muito  provável que a relação enfraqueça propiciando um clima de adversidade. Os esforços devem ser no sentido do casal desenvolver estratégias que ajudarão  seja na solução dos conflitos , no ajustes das dificuldades ou na superação de uma crise e não no duelo de quem está certo ou errado.  Para alcance do entendimento mútuo é preciso abrir mão das armas e das condutas de ataque que levam o outro a interpretar a situação como ameaça, desenvolvendo afetos negativos e conseqüentemente comportamentos defensivos .   Quando o casal fica preso no combate, com resistência por parte de ambos em ceder, vem o afastamento e as interpretações negativas são superestimadas  como por exemplo:       “ Ele(a) é muito difícil!” Esta afirmação ganha força no momento em que são filtradas apenas as informações que confirmem esta visão. Até mesmo quando não há situações concretas a serem filtradas, é possível que as atitudes do outro sejam interpretadas de forma distorcida , justamente para que aquilo que está sendo pensado e dito, seja confirmado. Na verdade esta afirmação pode estar refletindo a dificuldade de entendimento que se trava entre o casal e não que o outro seja uma pessoa difícil. É mais fácil culpar o outro do que pensar sobre o que de fato está acontecendo na relação e na parcela de responsabilidade que cada um tem perante as dificuldades e desentendimentos. Uma boa dica é não acreditar 100% nas interpretações em relação ao outro, em momentos de discórdia e insatisfações e sim entender que se trata apenas de uma percepção e não uma avaliação real e objetiva. Quando os impasses são resolvidos, estas interpretações mais contaminadas ( ou em outras palavras distorcidas ), são corrigidas e o outro passa a ser visto de forma mais realista e positiva.

Os afetos negativos exercem grande poder em relação à como o outro é visto em determinado momento.  Um exercício importante, capaz de realmente ajudar o casal a reduzir as interpretações negativas em relação ao  julgamento um do outro,  consiste no treino diário  em que ambos desenvolvem formas mais positivas  de se verem mutuamente e de agir. Em outras palavras seria adotar atitudes mentais e comportamentais positivas em relação ao outro. Isso porque a tendência é o negativo exercer sempre um poder destrutivo sobre o positivo. Às vezes um simples ato negativo como por exemplo um xingamento, impera sobre todo um conjunto de atitudes positivas.

A maioria dos casais apresentam importantes diferenças entre si que necessitam de ajuste para equilíbrio da relação. É preciso que ambos possam treinar habilidades no ceder e flexibilizar sem que isso seja encarado como submissão, passividade ou fraqueza e sim maturidade e disposição para adaptar-se melhor ao outro em benefício da relação. Às vezes é preciso que um possa dar o primeiro passo  rumo aos ajustes e entendimento, mesmo que o outro ainda pareça resistente, para injetar novo formato ao relacionamento. O movimento de mudança, mesmo que inicialmente seja unilateral é sempre positivo , provocando mudanças positivas no outro e na relação. Faz sentido lutar para aparar as arestas e aumentar a satisfação mútua , trabalhando as expectativas realistas e aceitação de que  nenhum casal por mais “ perfeito “ que seja, se harmoniza em todos os aspectos e vive feliz 100% do tempo.

Psicologia e Espiritualidade: Uma integração que pode dar certo.

Um assunto muito atual mas ainda polêmico por cruzar duas importantes fronteiras do conhecimento: Espiritismo e Psicologia.  O espiritismo apesar de ser considerado uma grande tendência, presente na crença e filosofia da vida de muitas pessoas, incluindo profissionais da  área, ainda sofre alguns conflitos em relação à integração com a ciência da psicologia.

Os conselhos de psicologia advertem a importância por parte dos profissionais da distinção entre estas duas racionalidades, devido à observação de que em alguns casos as fronteiras do conhecimento tradicional e científico não são respeitadas. Nestes casos é possível exemplificar profissionais da área da psicologia, que utilizam em suas técnicas psicológicas a integração do esoterismo. Não é permitido por parte do psicólogo , infringir em sua prática o código de ética profissional, submetendo os pacientes a tratamentos fora do cunho científico. Não se trata de certo ou errado e nem mesmo com quem está a razão e sim  na implicação de questões éticas, já que o código de ética é bem claro no que diz respeito à associação do conhecimento da psicologia com conhecimentos de outra ordem. Outra importante questão de ordem ética é o cuidado que o psicólogo deve ter a não induzir seu paciente a nenhum tipo de crença e religião .

Os conselhos de psicologia reconhecem que a psicologia e a espiritualidade, transitam em campo comum sendo fundamental o entendimento do diálogo entre estes dois conhecimentos, razão pela qual buscam alertar a  cautela por parte dos profissionais, bem como a busca pela informação e orientação. Também é reconhecido que a psicologia apresenta uma dimensão espiritual mas não religiosa, sendo esta zona de conflito a razão que remete a necessidade do aprofundamento no debate da interface Psicologia com a Espiritualidade e saberes tradicionais. A OMS compreende que a integração do saberes tradicionais é articulável aos saberes científicos, daí a importância do diálogo das duas áreas para maior compreensão da subjetividade e interfaces estabelecidas pela psicologia com outras ciências e religiões.

Atualmente existem importantes estudos e movimentos com a finalidade de aproximar a psicologia com as religiosidades e saberes tradicionais. A doutrina espírita apresenta certo dinamismo que dentro de suas crenças e lógicas, possibilita ao ser humano adotar sua filosofia de vida , traçando um caminho sem que este seja afastado do conhecimento científico. Desta forma a psicologia espírita  ainda não é uma abordagem e nem estilo terapêutico, mas sim a possibilidade de uma expressão que integra saberes conectados pelos conhecimentos da ciência do campo da psicologia e a filosofia de vida do espiritismo , investigando o que há em comum entre as duas áreas. A idéia é empregar uma visão transdisciplinar  que visa a integralidade do ser humano ( mente, corpo e espírito ) respeitando as fronteiras de ambos os saberes.

A psicologia transpessoal é uma tendência moderna que mais se aproxima com as questões da espiritualidade, tendo como um dos seus fundadores Abraham Maslow. Nasceu nos anos 60 a partir das experiências com estados alterados da consciência considerando estados provocados pelo uso de substâncias alucinógenas até vivencias místicas espirituais. Permite a integração dos princípios de diferentes correntes psicológicas, com postulados da física quântica e entendimentos budistas. Busca compreender o ser humano a partir de conhecimentos que vão além da mente e do espírito, englobando a totalidade das diferentes partes. Reconhece  a espiritualidade e necessidades transcendentais, como aspectos inerentes da natureza humana. É definida por Maslow como a quarta força da psicologia que sucede as correntes do Behaviorismo, Psicanálise e Humanista.

 

 

Você sabe ser assertivo na comunicação?

Comunicação Assertiva

 

A comunicação é uma ferramenta de extrema importância nas relações, independente do contexto, seja ele afetivo, social, profissional ou familiar. A grande maioria dos rompimentos, desentendimentos e ansiedades de ordem relacional ocorre em virtude de uma comunicação falha, deficiente, inadequada ou negativa. Independente do termo a ser utilizado, quando a comunicação não é direta, legítima e espontânea,  o risco de distorções em relação às interpretações aumenta. Dificuldades em dizer e ouvir não é um exemplo de comunicação deficiente. Quando deixamos de dizer não a favor das necessidades do outro, de certo modo oprimimos nossos desejos e subjugamos nossas necessidades. Algumas pessoas apresentam dificuldades para se posicionar, não são autênticas, inibem suas opiniões e comportamentos a favor do “bem senso”, pelo medo de serem agressivas, por excesso de insegurança  ou pela falta de coragem para se afirmar. São pessoas que funcionam de forma passiva e não assertiva.

Mas o que é assertividade? Assertividade significa comunicar algo positivo ou negativo com a devida segurança a partir das próprias convicções, pontos de vistas e sentimento. É ter atitude e não inibir comportamentos. A idéia não é o confronto de idéias e nem a persuasão  e sim ser  autêntico e seguro na maneira de interagir e se posicionar , sem temer desagradar o outro ou evitar conflitos. A pessoa assertiva não é rígida em suas convicções, muito pelo contrário, sua segurança interna possibilita aceitar críticas construtivas,  negociar as diferenças, fazer acordos com sabedoria e maturidade, bem como aceitar a assertividade do outro. Quanto mais assertivo for uma pessoa, maior será sua auto confiança e capacidade para lidar com o aversivo e fazer seus devidos enfrentamentos.

Entre as habilidades essenciais para uma boa comunicação e conseqüentemente para  relações interpessoais  mais satisfatórias, está o aprendizado da assertividade que inclui o treinamento de como fazer afirmações e solicitações legítimas com base no que se pensa, sente, deseja e necessita sem ameaçar, atacar , desrespeitar ou agredir o outro. A assertividade é uma habilidade apreendida, que deve ser incentivada e estimulada ao longo da infância. Se a criança não é ensinada e estimulada a se comunicar de forma assertiva, dificilmente será um adulto assertivo, a não ser que seus traços de personalidade favoreçam o desenvolvimento da assertividade a partir das experiências e interação com o ambiente ( sem o estimulo dos pais, cuidadores ou outras pessoas significativas).

Em terapia, o paciente é ensinado através de técnicas cognitivas e comportamentais para comunicar-se de forma assertiva. As técnicas cognitivas são utilizadas para trabalhar os pensamentos e crenças limitantes que interferem negativamente no comportamento assertivo. Do ponto de vista comportamental,  a técnica chama-se “treinamento de assertividade” , ou seja, o paciente é ensinado, incentivado e treinado a praticar respostas e comportamentos assertivos Neste treinamento é possível aprender a comunicar os sentimentos, pensamentos e necessidades de forma clara e objetiva com regulação no tom de voz, sem agressividade e acusação.  A técnica também inclui além da comunicação assertiva a escuta ativa e empática. Entende-se por escuta ativa, o interesse e atenção  em relação ao que o outro está comunicando. A escuta empática inclui colocar-se no lugar do outro, objetivando o entendimento e a compreensão  em relação ao que está sendo comunicado.

No treinamento assertivo, o paciente exercita alguns comportamentos a partir da interação com o terapeuta e fora da sessão em escaladas que na prática  variam do nível fácil até o mais difícil como, por exemplo:

  • Iniciar e manter uma conversa;
  • Ouvir o outro com interesse e atenção;
  • Comunicar sentimentos e necessidades;
  • Comunicar dúvidas e incertezas em relação ao que o outro possa estar pensando ou sentindo;
  • Esclarecer mal entendidos;
  • Ser autêntico;
  • Ter atitudes;
  • Tomar decisões;
  • Ser empático colocando-se no lugar do outro;
  • Falar em publico;
  • Expressar sentimentos positivos como gratidão e afeto pelo outro;
  • Defender seus direitos e pontos de vista;
  • Pedir ajuda e ajudar;
  • Dizer não e suportar ouvir não;
  • Aceitar e fazer elogios;
  • Saber discordar;
  • Saber comunicar aquilo que desagrada ou incomoda;
  • Pedir desculpas quando um erro ou equívoco são percebidos;
  • Pedido de mudança no comportamento do outro com respeito à sua individualidade e privacidade;
  • Aceitar críticas construtivas;
  • Falar o que está pensando;
  • Regulação do tom da voz;

 

 

Uma postura assertiva auxilia no empoderamento pessoal, fortalece a auto-estima,  melhora as relações do ponto de vista qualitativo , diminui a ansiedade , evita somatização e contribui para o  bom humor.

 

Distimia: um tipo de depressão comum e de dificil diagnóstico.

Entre os transtornos de humor, a depressão é uma das alterações mais conhecida e facilmente diagnosticada através dos sintomas.  O diagnóstico começa a não ficar tão claro quando falamos em níveis e subtipos da depressão. O transtorno depressivo é caracterizado por níveis, sendo leve, moderado e grave. Entre os subtipos da depressão está a distima que é uma condição crônica, diferente da depressão que é um estado. Na distima  “a pessoa não está assim, ela é assim”, ou seja, os sintomas se confundem com o jeito de ser do individuo. É como se fosse uma depressão muito leve, com baixo grau de sintomas, porém os mesmos são crônicos, o que faz o diagnóstico ser grave,  pois em longo prazo a vida acaba sendo prejudicada em relação às esferas afetiva, interpessoal, social e familiar.                         Os sintomas mais freqüentes que caracterizam a distimia são: pessimismo, apatia, baixa  energia e motivação, desinteresse por atividades prazerosas, dificuldade de concentração, desesperança, queixas, crítica, baixa auto-estima, investimento na esfera profissional e afastamento das atividades relacionadas à  vida afetiva, familiar e social. Geralmente a pessoa com distimia tem características obsessivas, é perfeccionista e evitativa ( evita pessoas e situações ). O foco é concentrado na atividade profissional, sendo aquela pessoa que aparentemente não apresenta problemas  nas outras áreas da vida, pois se relaciona de forma superficial e com um certo distanciamento emocional.                                 Nem sempre os pacientes e familiares, percebem a presença de um transtorno, pois os sintomas são mascarados pela idéia de que este é o jeito de ser da pessoa.  Pelo fato da pessoa “ ser assim” e não “ estar assim”  , a maior dificuldade implica na consciência da existência de um transtorno de humor e conseqüentemente a procura espontânea pelo tratamento adequado. Desta forma, é possível para o  distímico, viver uma vida inteira, sem que seja identificado e diagnosticado o transtorno distímico.                                                                                                       A distimia geralmente tem inicio precoce, ou seja, os primeiros sintomas surgem na infância ou adolescência, havendo sempre a presença de comorbidades ( outros transtornos ) e estressores . Na adolescência, o transtorno  é associado o abuso de substâncias, automutilação,  transtornos alimentares e de ansiedade. Na idade adulta e velhice, os estressores psicossociais apresentam maior relação com os transtornos depressivos.  Entre os estressores psicossociais estão: baixo suporte social desestrutura familiar, história de abuso e negligência na infância, perdas, mudanças, conflitos, entre outros. Em relação à genética, filhos de pais alcoolistas ou com história de transtorno de humor, são mais propensos à distimia. Entre as comorbidades, os episódios depressivos ( depressão maior) estão associados, neste caso, o diagnóstico passa a ser denominado “ depressão dupla”.                           A sintomatologia crônica  é a  responsável pela deficiência do treinamento de habilidades sociais nas diferentes esferas da vida. A importância do diagnóstico precoce e o tratamento adequado é importante para a melhora em relação qualidade de vida.  A distima ainda é uma doença de difícil diagnóstico em virtude de suas comorbidades, traços de personalidade, bem como  semelhança em relação à sintomatologia da depressão maior. Para que o diagnóstico seja considerado válido é preciso determinar a estabilidade e freqüência dos sintomas  ao longo do tempo. Identificado o diagnóstico do transtorno distimico, a doença é passível de tratamento que deve  incluir medicação e psicoterapia.                             A terapia cognitivo comportamental  trabalha as habilidades para resolução de problemas, reestruturação cognitiva, modificação das crenças disfuncionais,  ( enfatizando o processo de racionalidade), ativação comportamental , bem como os aspectos relacionados ao diagnóstico e tratamento através da psicoeducação . O tratamento farmacológico de escolha implica na medicação antidepressiva, sendo que de acordo com os estudos, 50%  a 60% dos pacientes obtêm resultados positivos. Apesar das especificações acerca dos critérios ainda permanece sendo uma doença pouco identificada em virtude da complexa sintomatologia e controvérsias sobre ser um quadro clínico passível de diagnóstico e tratamento ou um transtorno de personalidade.

 

Um dilema chamado Trabalho de Conclusão

Hoje vou falar sobre o dilema na vida dos estudantes nesta época do ano que se chama TCC. O trabalho de conclusão de curso representa  para maioria um verdadeiro terror, sendo um estressor capaz de interferir seriamente em outras áreas da vida ( como por exemplo, pessoal e profissional) e provocar intenso estado de ansiedade, alterações no sono e sintomas depressivos. Entre os pensamentos recorrentes estão as crenças de incapacidade. Em termos comportamentais, uma das condutas   mais presentes está a procrastinação . Mas por que isso tudo acontece?

A resposta é complexa , pois envolve diferentes linhas de entendimento, entre elas a existência do fenômeno chamado “ bloqueio do escritor ou bloqueio criativo”  que envolve  a perda temporária da habilidade de escrever e produzir, por falta de inspiração, criatividade, segurança ou até mesmo motivação. Existe também a síndrome do estudante que se refere ao fato de que muitos estudantes só conseguem se dedicar efetivamente a uma tarefa próximo ao seu prazo final. Não importa a causa, a grande questão é a inibição do comportamento de produzir que resulta como resposta o estresse, a procrastinação e a negação do que precisa ser feito. A procrastinação não necessariamente está associada ao bloqueio do escritor ou a síndrome do estudante, podendo ser um comportamento independente, presente devido às questões relacionadas ao mau gerenciamento do tempo, perfeccionismo e crenças de incapacidade. As pessoas procrastinam quando não gostam do que precisa ser realizado ( priorizando atividades mais prazerosas),  por ativação das crenças de incapacidade , perfeccionismo,  dificuldades no planejamento e organização ou por perceberem negativamente suas responsabilidades.  O estudante normalmente sente-se dominado pela pressão, tensão, perda do foco e incertezas quanto à sua eficiência e produtividade, razões que o levam a procrastinar como tentativa de solucionar temporariamente estas questões negativas. Tal comportamento vira um ciclo de atraso e acúmulo do que precisa ser feito, gerando um efeito debilitante na vida pessoal .

Entre as técnicas psicoterápicas, capazes de auxiliar neste processo estão as cognitivas e comportamentais. A finalidade é serem trabalhada as  inseguranças e medos ( muitas vezes irreais ) de modo a substituir comportamentos paralisantes por respostas de ação e condutas adaptativas. O foco do problema é substituído, ou seja, ao invés de focar a dificuldade no produzir, orienta-se os objetivos  em direção à modificação no modo de relacionar-se com problema. Adota-se a seguinte auto instrução: “A situação não pode ser modificada , mas eu posso modificar como me relacionar às dificuldades que percebo no problema, encontrando estratégias funcionais de enfrentamento , orientadas para a solução.”

Alguns conceitos importantes a serem trabalhados do ponto de vista cognitivo estão a criatividade , auto eficácia e pensamento produtivo. A solução de problemas requer formas de atuação criativa, aumento do pensamento produtivo cujo objetivo é o interesse voltado para a descoberta de como a auto eficácia pode ser maximizada e as reações emocionais negativas minimizadas. O primeiro passo é a análise da situação-problema, sendo listados os possíveis problemas e estratégias para enfrentamento e solução dos mesmos. Entre as situações problemáticas previstas, estão as questões pessoais e   externas que podem interferir negativamente no processo.

Para o planejamento, são traçados objetivos realistas  a serem alcançados a curto, médio e longo prazo e o que cada um exige para sua execução. Técnicas de relaxamento são indicadas tanto na fase inicial de planejamento para a criação das alternativas como na fase de execução. O relaxamento minimiza a reatividade cognitiva e emocional negativa, auxiliando na produção de idéias, criatividade, desempenho e produtividade. A distração também é muito usada na fase da execução objetivando a mudança do foco em momentos em que as cognições entram em estado de exaustão, dificultando ou até mesmo paralisando a produtividade. Quando o estudante insiste em prosseguir sob efeito da exaustão, inicia-se um ciclo  que ativa e reforça cognições e emoções negativas resultando em comportamentos disfuncionais, uma vez que não é possível produzir quando se está muito cansado.

É preciso anular qualquer situação, pensamento ou comportamento que interfira negativamente nas expectativas de conduzir todo o processo ( desde o planejamento à execução ) de modo satisfatório. Um dos objetivos consiste em facilitar a adoção de habilidades e estratégias positivas para a resolução das dificuldades, aumentando, portanto, a motivação no envolvimento do trabalho, mesmo perante as adversidades e obstáculos. Entre as dicas práticas que podem auxiliar na fase da execução:

  • Em caso de bloqueio no momento da escrita, experimente focar em uma escrita mais livre. O bloqueio pode ser apenas uma conseqüência da insegurança para iniciar.
  • Se o bloqueio surgir ao longo da execução, pare! Procure fazer um relaxamento ou distrair-se mudando o foco para que seu cérebro possa descansar.
  • Respeite seu ritmo e plano de trabalho. Trabalhe de acordo com os seus objetivos a curto, médio e longo prazo.
  • Faça intervalos regulares, não espere que seu cérebro entre em exaustão cognitiva.
  • Pense que o feito é melhor do que o perfeito.
  • Substitua a crítica por pensamentos positivos que possam auxiliar no processo.
  • Programe as tarefas destinadas ao trabalho ( seja a escrita ou leitura) para horários estratégicos. Descubra qual é o melhor horário para você em relação à sua produtividade.
  • Não espere sentir desejo ou muita disposição para produzir. Ative seu comportamento para focar no que precisa ser feito.
  • Cultive pensamentos e adote comportamentos que possam auxiliar na produção e não na paralisação.
  • Preste atenção nas condutas e pensamentos de auto sabotagem, pois só servem para reforçar as crenças de incapacidade e a procrastinação.
  • Enfrente o estresse com condutas resilientes.
  • Não deixe para depois o que pode ser feito hoje. O acúmulo é uma estratégia auto sabotadora.
  • O horário que você determinar para dedicar-se ao seu trabalho, deve ser exclusivo ao propósito, portanto, tenha atenção aos outros estímulos que possam atrapalhar sua produtividade, como por exemplo: internet, redes sociais, televisão, celular, barulhos e conversas paralelas.
  • Não compare seu ritmo ou sua produtividade com seus colegas. O foco deve ser na sua produção.
  • Converse com colegas, familiares, amigos ou com o seu terapeuta sobre suas ansiedades. Troque idéias. Esteja aberto as novas condutas e estratégias.
  • Faça exercícios. A atividade física estimula a criatividade, alivia a ansiedade e o estresse.
  • Cuide bem da sua alimentação, pois você precisa de energia e disposição para ser criativo e produzir.
  • Durma o suficiente para sentir-se descansado, pois você precisa de disposição para ser criativo e produzir.
  • Fique atento aos sintomas de ansiedade e busque ajuda se for preciso.
  • Não condicione o inicio da escrita à leitura de várias referências bibliográficas. Seja seletivo e objetivo.
  • Não adote comportamentos extremos como, por exemplo, o isolamento social . Não deixe que sua vida seja dominada e controlada apenas pelo seu TCC.
  • Relaxe! Respire fundo e prossiga sempre!