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Preciso de terapia?

É muito comum questionamentos por parte das pessoas que desejam iniciar terapia ou até mesmo pacientes iniciantes, sobre suas motivações e necessidades em relação ao fazer ou não psicoterapia.  Pacientes mais intermediários também não estão isentos desta condição, pois existem momentos na psicoterapia caracterizados pelo alívio dos sintomas que podem ser facilmente confundidos com o processo de alta. Neste texto, vou focar no primeiro grupo mencionado, ou seja, aqueles com interesse na terapia ou pacientes iniciantes, com o objetivo de auxiliar estas pessoas nesta tomada de decisão que sem dúvida requer elaboração a partir de necessidades conscientes ou inconscientes.

Em primeiro lugar é importante entender a finalidade do processo terapêutico para que a pessoa saiba o que está buscando e se sua perspectiva pode ser atendida através deste recurso. A psicoterapia é um recurso terapêutico que tem como objetivo auxiliar a pessoa que busca ajuda a  lidar com suas questões de natureza pessoal, emocional,  afetiva, comportamental, familiar, social e profissional, removendo ou aliviando sintomas, amenizando o sofrimento desencadeado por conflitos psicológicos , crises relacionadas ao ciclo vital ou alguma desordem provocada por dificuldades ou problemas externos. A finalidade é a construção de uma boa relação consigo mesmo e com as outras pessoas. Desta forma, a pessoa  pode optar pela psicoterapia por julgar que algo não está bem em sua vida ( ou consigo), vive alguma situação que não consegue superar sozinha entendendo ser necessário o auxilio psicológico, por questões específicas e pontuais ( interna ou externa ) ou  simplesmente visando  o autoconhecimento.

Não existe necessidade maior ou menor e sim o desejo de cada um em iniciar ou permanecer em terapia.  O que não se pode fazer é forçar uma pessoa a buscar auxilio psicológico. Muito dificilmente dá resultados a psicoterapia forçada, pois a pessoa já entra com resistência e certamente não vai interagir com o terapeuta devido à indisponibilidade interna para trabalhar suas questões. Ocorre também do paciente ingressar na terapia com questões bem pontuais relacionadas  a estressores ( eventos externos ) e logo quando os mesmos se resolvem , seja por causas naturais ou interferência terapêutica o paciente sente-se bem , com alívio imediato de seus sintomas e sofrimento. Neste caso cabe ao terapeuta auxiliar o mesmo na busca por novos focos e objetivos terapêuticos e se o paciente não desejar, deve ser considerada a possibilidade de alta.

As psicoterapias focais ou breves  consideram a alta terapêutica assim que os sintomas são aliviados , as dificuldades manejadas e estressores resolvidos. Existem diferentes abordagens com diversidades de técnicas que vão desde uma psicoterapia breve até longo prazo. Algumas abordagens entendem  que cabe ao terapeuta explorar demanda terapêutica ( necessidades, dificuldades e focos ) , auxiliando o paciente neste entendimento e engajamento no processo terapêutico. Esta exploração ocorre através de perguntas estratégicas abertas realizadas pelo terapeuta, cujo objetivo é auxiliar o paciente a falar ao máximo o que sente e pensa em relação as suas questões, áreas da vida, dificuldades e  comportamentos prejudiciais , visando refletir sobre a necessidade de alguma mudança. Esta técnica chama-se entrevista motivacional sendo indicada para pacientes que iniciam a psicoterapia ambivalentes em relação a mudança. Não existe certo ou errado, mas  sim a escolha da melhor abordagem e técnicas a serem utilizadas de acordo com o paciente. Cabe ao  terapeuta buscar  fazer o seu melhor para auxiliar o paciente em suas necessidades, respeitando seus desejos e perfil.

Automutilação, um problema ou modismo?

A conduta que até então era considerada um grave distúrbio psiquiátrico, passou a ser moda entre os adolescentes, que muitas vezes competem entre si o limiar da dor, confundindo desta forma o diagnóstico.  A dor psíquica pode corresponder  os estados que provocam intensa angústia. Mas o que é angústia?

Angústia é um sentimento cuja sensação é o vazio interno, a falta de palavras, representação e significado. É um estado de desamparo psíquico, podendo ser comparado ao terror sem nome, como um bebê que sente dor, sem saber o que está sentindo e chora para comunicar seu desconforto sem receber amparo. A impossibilidade do adolescente  lidar com este turbilhão de estados e sentimentos, seja por falta de recursos internos ou habilidades, faz com que adote a conduta da automutilação. É uma  tentativa de diminuir a angústia, pois perante a dor física,  o cérebro produz endorfinas com objetivo de aliviá-la.  Esse alívio da dor física, também reflete na sensação de diminuição da angústia. Esta conduta torna-se um ciclo vicioso, pois toda vez em que a  pessoa depara-se com estados psíquicos intoleráveis, como por exemplo, a tristeza profunda,  recorre a automutilação, para sentir o alívio produzido pelo cérebro perante a liberação da endorfina.

O perfil do adolescente automutilador, inclui características relacionadas a introspecção, instabilidade afetiva,  retraimento e o distanciamento social/ familiar. São pessoas que apresentam dificuldade para falar sobre seus sentimentos. Na internet existem grupos de adolescentes praticantes da automutilação que encontram apoio, bem como um espaço para falar sobre o assunto,  já que trata-se de uma conduta reprovada pela família e sociedade. Geralmente  adolescentes escondem da família esta prática. Devido ao sentimento de vergonha, inadequação e reprovação raramente pedem ajuda.

Em alguns casos a automutilação encerra por si seu ciclo e aos poucos a pessoa deixa de praticá-la, porém, existe a forte tendência da conduta ser agravada. O tratamento consiste no apoio da família, através de afeto, confiança e segurança. O diálogo é importante, porém, nesta fase ( adolescência ), a postura mais reservada perante a família é normal. Acompanhamento médico, medicação e psicoterapia, são recursos essenciais. É importante sempre salientar que a medicação deve ser avaliada, prescrita e acompanhada pelo médico psiquiatra.

O acompanhamento psicológico é de extrema importância, pois é o espaço em que o adolescente é acolhido e autorizado a falar sobre suas angústias de forma segura, sem julgamentos ou críticas. As intervenções consistem no acolhimento, formação de vínculo seguro, escuta, empatia, esclarecimento, orientação, treinamento de habilidades para tolerar sentimentos como a angústia, tristeza, raiva, culpa e frustração. O trabalho inclui a família que muitas vezes também é encaminhada para acompanhamento através da orientação familiar.

Ansiedade: Saiba como a psicoterapia cognitiva pode ajudar.

Como a psicoterapia cognitiva pode ajudar na ansiedade?

Entre as opções de tratamento psicoterápico para ansiedade, está a abordagem cognitiva. A terapia cognitiva é um tratamento psicológico organizado e sistemático que ensina as pessoas a mudarem os pensamentos, crenças e atitudes que desempenham um papel importante nos estados emocionais negativos como a ansiedade.

A idéia central da terapia cognitiva é que os pensamentos influenciam os sentimentos que interferem no comportamento. O tratamento é breve e altamente estruturado que se dá por meio da palavra e se concentra nas vivências cotidianas , ensinando as pessoas na identificação, avaliação e mudança de seus pensamentos automáticos disfuncionais, através da avaliação sistemática e planos de ação cognitivo e comportamental. Pode varias de 6 a 20 sessões semanais individuais, com possibilidade de ser quinzenal na fase próxima ao término. São incluídas as seguintes fases:

Avaliação: O terapeuta avalia  a natureza do problema relacionado à ansiedade através de instrumentos de avaliação e questionamentos direcionados aos sintomas e história de vida atual e pregressa. O objetivo é a compreensão da natureza da ansiedade e o desenvolvimento de um plano de tratamento.

Intervenção: Visa identificar e ajustar os pensamentos automáticos e crenças disfuncionais relacionados à ansiedade, bem como colocar em prática o plano de ação , através das técnicas cognitivas e comportamentais.

Término: As sessões concentram-se nas habilidades cognitivas e comportamentais desenvolvidas para manejo da ansiedade, bem como o controle de episódios relacionados as recaídas.

Geralmente a estrutura de cada sessão se resume na revisão da presença dos sintomas da semana, avaliação do plano da sessão anterior, trabalho dos tópicos específicos através da identificação, avaliação e modificação cognitiva, elaboração da tarefa de casa ( plano de ação )  e resumo da sessão ( feedback). Entre os fatores terapêuticos, importantes estão a psicoeducação , questionamento socrático,  descoberta guiada e boa relação terapêutica. Por parte do paciente é importante a presença de motivação, expectativa positiva e boa capacidade de comunicação no sentido de conseguir abordar de  modo crítico e investigativo  as situações do dia a dia, pensamentos, sentimentos e comportamentos.

A Terapia Cognitiva é recomendada como um tratamento de primeira escolha  para os transtornos de ansiedade, sendo comprovado por estudos científicos clínicos  ser eficaz na redução e controle  dos sintomas. Outro dado importante apontado pelos estudos corresponde ao fato de que a psicoterapia produz uma melhora duradoura do que apenas o uso da medicação sem acompanhamento terapêutico.

Quando a ansiedade é um problema?

Quando a ansiedade é um problema? Saiba diferenciar a ansiedade normal da ansiedade patológica.

Atualmente muito se houve falar sobre a ansiedade,  sendo um tema que já se tornou bastante generalizado e que acomete grande parte da população. Facilmente o mal estar psíquico recebe o diagnóstico de ansiedade, rotulando a maioria das pessoas como ansiosas. Na verdade a ansiedade faz parte da natureza humana devido  relação com as incertezas, preocupações, medos e estados de apreensão. É difícil viver uma vida em estado de completa tranqüilidade e segurança, portanto, certo nível de ansiedade é normal e necessário para a sobrevivência.

A ansiedade torna-se um problema quando ultrapassa os níveis adequados em relação à freqüência e persistência dos sintomas gerando significativo prejuízo e sofrimento na vida da pessoa.  Uma pessoa que sofre de ansiedade em seus níveis alterados ( intensidade, freqüência e persistência dos sintomas ) e que tem áreas de sua vida afetada, pode ser considerada ansiosa e certamente sofre da ansiedade clínica. As pessoas ansiosas estão propensas a desenvolverem transtornos de  ansiedade como, por exemplo, o transtorno de ansiedade generalizada, pânico, fobias, TOC ( transtorno obsessivo compulsivo) , TEPT ( transtorno de estresse pós traumático ) e ansiedade de separação. Entre outros transtornos, a pessoa  fica mais sensível e reativa ao estresse , podendo também desencadear episódios depressivos.

Sintomas

Os sintomas de ansiedade incluem alterações a nível  cognitivo, emocional e comportamental ,  ou seja, quando se está ansioso, o  modo de pensar, sentir e se comportar é diferente e acentuado .  O corpo também responde aos estados de intensa ansiedade, resultado nos sintomas físicos. Entre alguns dos variados sintomas estão:

Cognitivos

  • Medo de perder o controle
  • Medo de não ser capaz ou de não conseguir algo
  • Medo de algum acontecimento trágico ou desfechos negativos
  • Medo de morrer, adoecer ou enlouquecer
  • Dificuldades de concentração e atenção
  • Percepção alterada ou potencializada da realidade
  • Superestimação do perigo e da ameaça
  • Confusão mental e esquecimentos
  • Dificuldade de raciocínio
  • Negativismo
  • Preocupação

Comportamentais

  • Evitação e fuga das situações temidas
  • Busca de segurança
  • Agitação e inquietação motora
  • Falar muito
  • Trocar palavras
  • Retraimento e isolamento
  • Insônia
  • Irritação

Emocionais

  • Angustia
  • Apreensão
  • Tensão
  • Frustração
  • Impaciência

Físicos

  • Falta de ar
  • Taquicardia
  • Sudorese
  • Tremor
  • Sensação de desmaio
  • Alteração da pressão arterial
  • Náusea

 

Entendendo a ansiedade

Os sintomas variam de um episódio para outro, de pessoa para pessoa e também na mesma pessoa, portanto as crises e os estados de ansiedade nem sempre são iguais.  Pode inclusive ser difícil em alguns casos, distinguir a ansiedade normal da anormal, cabendo a um profissional da saúde mental avaliar a intensidade e freqüência dos sintomas, bem como o grau de interferência  na vida diária .  A ansiedade chamada clínica, pressupõe a presença de uma significativa alteração, caracterizada por uma tendência  perceptiva e emocional exagerada, negativista , catastrófica, irrealista, intensa, persistente e generalizada.

A ansiedade geralmente está orientada para o futuro, sendo acompanhada do medo perante a percepção real,   potencializada ou imaginária de situações relacionadas ao perigo , desconhecido, ameaça  ou incertezas.   Na maioria das vezes o estado apreensivo está relacionado ao questionamento “E se?”  que está associado  a estados de vulnerabilidade,  intolerância as incertezas e impossibilidade de controlar e prever o futuro.

A mente ansiosa

O processo cognitivo é o maior responsável pelo desencadeamento e reforço da ansiedade. O modo como pensamos, pode determinar se o estado ansioso se intensifica, persiste ou diminui. Em outras palavras,  a ansiedade diminui naturalmente se não for dada a devida atenção.  O tratamento da ansiedade requer consciência e atenção psicológica , pois geralmente os pensamentos são automáticos, ou seja, a pessoa somente percebe as alterações emocionais. O cérebro automaticamente sofre influência das crenças ativadas e das experiências armazenadas , examinando o ambiente na busca de sinais de perigo e ameaça , resultando na percepção ansiosa e na expectativa apreensiva. Este processo superestima o perigo e a ameaça, subestimando a capacidade pessoal para o enfrentamento das situações aversivas ou temidas. São ativadas crenças ( pensamentos ) de incapacidade e vulnerabilidade que distorcem a realidade. Em outras palavras, a ansiedade distorce as cognições fazendo com que o foco seja concentrado no perigo, na  vulnerabilidade, ameaça e impotência.

A comunicação sexual na vida do casal

A comunicação é um dos principais recursos positivos na vida do casal, devendo ser investida e preservada. Obviamente depende de diferentes fatores que estão relacionados às questões de cada um ( capacidade de comunicação ) e da própria relação.  Quanto mais   cumplicidade e intimidade, maior será a chance da presença de uma comunicação saudável, livre de bloqueios e deficiências.  Obviamente, para ser possível falar sobre sexo é importante que o casal saiba comunicar-se no dia a dia, pois esta é a base que permite avançar para a comunicação sexual que exige acima de tudo intimidade na vida a dois. Sem intimidade dificilmente será possível falar sobre sexo. O sexo é uma área importante na vida do casal e deve ser falado com a mesma naturalidade com que se fala sobre as finanças,  questões pessoais de cada um, problemas da relação, trabalho, projetos, educação dos filhos, amenidades do dia a dia e da vida, entre tantas outras questões.

Apesar de vivermos uma geração  mais “educada sexualmente” em comparação com algumas décadas atrás, ainda existem preconceitos e tabus entre os casais na hora de falar sobre sexo .  A origem do bloqueio na comunicação sexual está ligada a diferentes razões, entre elas questões relacionadas à inibição, repressão, timidez, cultura familiar, medo do resultado negativo de  uma conversa franca e direta, crenças de não ser importante esta comunicação, negação das dificuldades sexuais, receio de exposição  e a visão apreendida do sexo ser assunto proibido.  São diversas motivações que geram ansiedade e condutas de evitação  quando o assunto é sexo. A inibição  é limitadora , impedindo até mesmo que seja pensado sobre o assunto, privando o casal da possibilidade pela busca de   entendimento  sobre as questões sexuais que norteiam a relação. Sem a comunicação sexual, os desajustes   quando presentes são mantidos,  instalando a insatisfação   e gerando problemas na vida do casal que muitas vezes são deslocados para outras áreas e manifestados de diferentes maneiras , como por exemplo o desejo por terceiros, infidelidade, agressividade, mau humor, afastamento , discórdias, discussões freqüentes e desgastes.

O conceito de sexo está ligado à vida, saúde, aliança entre duas pessoas,  intimidade física e psíquica, portanto deve ser  uma questão acolhida, cuidada e encarada  com maior naturalidade. Estudos apontam que a insatisfação sexual é um dos principais fatores responsáveis pelo divórcio .  Quando o casal consegue falar livremente  sobre seus desconfortos e ansiedades sexuais,  preferências, fantasias e vontades, são diminuídas as chances do divórcio e reforçado o vínculo de intimidade, portanto é essencial a quebra das barreiras que impedem  a comunicação sexual.

A terapia de casal possibilita um espaço para que a comunicação sexual seja pensada, minimizando a censura e auxiliando no treinamento de habilidades específicas para o enfrentamento das inibições e bloqueios. O casal é auxiliado a  pensar sobre sua sexualidade de forma construtiva para o  desenvolvimento da segurança e  auto-estima sexual  perante a relação. A comunicação sexual não tem como função  apenas comunicar o negativo visando mudanças, mas também reforçar as questões positivas e favorecer novas descobertas

A dor da separação

A separação conjugal  pode ser definida como uma crise que ocorre dentro do ciclo de vida familiar e que desafia a visão de vida básica de como devemos viver a vida . Corresponde a uma interrupção do tradicional ciclo, capaz de produzir desequilíbrio e sofrimento significativo na família,  em virtude da aquisição de novos papéis,  mudanças e perdas decorrentes do processo que exigem um luto a ser elaborado. Trata-se de uma transição que compreende tarefas emocionais  que precisam ser elaboradas e completadas para a superação, favorecendo desta forma que o individuo possa prosseguir em seu desenvolvimento.

Como em outras etapas da vida, as questões emocionais não resolvidas nesta fase, continuarão como obstáculos em relacionamentos futuros. Contudo, o trauma da separação conjugal, uma vez enfrentado e manejado, é capaz de proporcionar novos espaços afetivos e produzir transformações positivas através de reestruturações e amadurecimento. Em virtude  das perdas conseqüentes, a capacidade de enfrentamento torna-se diminuída e muitas vezes a pessoa envolvida não consegue pensar de forma racional em virtude da fragilidade emocional que se torna uma ameaça ao equilíbrio psíquico.

A psicoterapia pode auxiliar o paciente que enfrenta uma separação conjugal a lidar melhor com os estressores envolvidos através dos processos de elaboração, aceitação e ressignificações. A elaboração é necessária para que o luto possa ser vivenciado de uma forma mais adaptativa, portanto é saudável que o paciente possa se conectar com sua dor, para que suas emoções e sentimentos possam ser avaliados, adaptados e futuramente transformados. A aceitação é o segundo momento, após a elaboração, que permite ao paciente pensar de forma mais racional. É o momento em que serão avaliadas as forças pessoais, capacidades de enfrentamento e recursos disponíveis para a superação. A ressignificação é o momento em que o paciente já está com a esperança instalada no futuro e nas possibilidades de superação. O desfecho desta crise é uma elaboração progressiva

A percepção de que os estressores são desafios manejáveis, auxilia no enfrentamento da crise, desta forma, o paciente é incentivado a pensar em suas conquistas de desempenho para que seu senso de autoeficácia possa ser reforçado. Acreditar no senso de auto eficácia, proporciona ao paciente um contexto seguro para as necessárias mudanças, construções, ajustes, amadurecimento e superação.

Entenda sobre os Transtornos de Humor

Os  transtornos de humor são perturbações que alteram as condições normais do paciente, comprometendo  um ou mais aspectos na sua vida, seja, afetivo, social, familiar ou profissional. Para que seja feito um diagnóstico é necessário que os sintomas sejam examinados e avaliados cuidadosamente pelo profissional.  A avaliação é feita através da observação, relato de sintomas,  entrevista diagnóstica e aplicação de instrumentos de avaliação. Abaixo, estão relacionados os principais transtornos de humor e suas características e subtipos,  bem como causas, diagnóstico e tratamento.

Depressão

 A depressão é um estado caracterizado por sintomas relacionados a  tristeza,  apatia, desânimo,  indiferença,  pessimismo, desesperança, cansaço,  irritabilidade, impaciência, diminuição da concentração, perda da memória, ataques de ansiedade, idéias fixas,  entre outros. É comum pensamentos de morte, sentimentos de culpa, fracasso, perda  e sensação de vazio.  Considerando a  questão fisiológica,  é possível observar,  alterações no apetite , sono , pele, cabelos e unhas , diminuição da libido, náuseas,  dores no corpo e na cabeça.  É uma alteração psíquica que causa sofrimento e prejuízo na vida do paciente.

Causas da depressão

A depressão é causada por uma desordem bioquímica dos neurônios responsáveis pelo controle do estado de humor. Esta afirmação baseia-se na comprovada eficácia dos antidepressivos que regulam esta desordem através da sua ação. O fato de ser um desequilíbrio bioquímico não exclui tratamentos não farmacológicos, ou seja, a psicoterapia. O uso continuado da palavra, a escuta empática, o apoio e o acolhimento que a psicoterapia proporciona,  pode levar o paciente  a obter uma compensação bioquímica. Eventos desencadeantes ,  através de  acontecimentos estressantes contribuem para o início de um episódio depressivo.  Os eventos estressantes geralmente desencadeiam episódios depressivos  nas pessoas predispostas e vulneráveis à depressão. Exemplos de eventos estressantes são: luto, divórcio,  perda de emprego, mudança de habitação contra vontade, doença grave, acidentes e desastres. Entre os fatores que tornam as pessoas vulneráveis estão: a influência da genética, história de vida pregressa,  rede de apoio deficiente, estresse, acontecimentos vitais, estratégias de enfrentamento e crenças disfuncionais.

Diagnóstico da depressão

Na depressão a intensidade do sofrimento é intensa, durando a maior parte do dia por pelo menos duas semanas, nem sempre sendo possível saber porque a pessoa está assim. O mais importante é saber como a pessoa está se sentindo, como ela continua organizando a sua vida (trabalho, cuidados domésticos, cuidados pessoais , alimentação, vestuário) e como ela está se relacionando com outras pessoas, a fim de se diagnosticar a doença e se iniciar um tratamento médico eficaz.

Tratamento da depressão

A depressão quando tratada de forma adequada é reversível. O tratamento varia de acordo com a duração e intensidade dos sintomas, bem como com a precisão do diagnóstico. Entre as opções disponíveis está o uso de medicação ( antidepressivos ) que deve ser acompanhada pelo médico  e a psicoterapia . A psicoterapia pode ser conduzida pelo psicólogo ou psiquiatra, auxiliando o paciente na compreensão e entendimento a respeito das suas questões pessoais  e estratégias de enfrentamento.

Tipos de depressão

Depressão Maior ou Unipolar  – Para o diagnóstico de Depressão Maior,  devem estar presente no mínimo 5 sintomas de acordo com um período de no mínimo duas semanas. Dentre os sintomas, pelo menos um deve ser o humor deprimido ou a perda do interesse por atividades cotidianas. O quadro precisa causar prejuízo significativo nas atividades sociais, ocupacionais e de lazer. A Depressão Maior pode ser manifestada apenas por um único episódio, ou ser recorrente ( mais de 1 episódio ao longo da vida ). A Depressão pode surgir em resposta a um estresse identificável como perdas (reações de luto), doença física importante ou algum outro acontecimento grave. Corresponde a mais de 60% de todas as depressões.

Depressão Menor ou Distimia – A Distimia se caracteriza por um humor cronicamente triste ou deprimido na maior parte dos dias, na maioria dos dias, por no mínimo dois anos. Os humor é  triste, sendo confundido  com características de personalidade ( ex. “ ele é assim mesmo” ). É comum que a Distimia não seja diagnosticada e que o paciente se reconheça como tendo sido sempre “mal humorado”, apático ou irritado. A sintomatologia é em geral semelhante a da Depressão Maior, de forma menos intensa.  A Distimia tem início gradual, ou seja, instala-se lentamente ao longo do tempo. A pessoa com Distimia também pode apresentar um episódio depressivo maior em algum momento da vida. A diferença entre a Depressão Maior ( ateriormente descrita ) para a Distimia é que na Depressão a pessoa vivencia um episódio pontual ( está assim ) e na Distimia a pessoa “é assim “.

Depressão Bipolar – Se caracteriza por episódios depressivos decorrente do transtorno de humor bipolar. A depressão se alterna com fases de mania ( euforia ) ou de humor normal (oscilações do humor entre “altos e baixos” ). Quando deprimida, a pessoa pode ter alguns ou todos os sintomas de depressão. Quando em mania, torna-se falante, eufórica e/ou irritável, impulsiva,  cheia de energia, autoconfiante, com necessidade de sono reduzida, entre outros sintomas. A mania prejudica o raciocínio, a crítica (capacidade de julgamento) e o comportamento social, podendo ocasionar graves conseqüências e constrangimentos, pois a pessoa em fase mania apresenta condutas de risco, se envolve facilmente em negócios mirabolantes e incertos, gastos compulsivos, atitudes precipitadas e inadequadas ou em aventuras  sexuais . Se não tratada, a mania pode piorar, evoluindo para quadro psicótico (com delírios e/ou alucinações). Quando a mania passa a pessoa deprime muito pois é como se o humor depencasse de um andar alto para o chão. A pessoa se arrepende dos comportamentos que teve na fase eufórica, sente-se culpada e envergonhada, o que contribui para o humor negativo e condutas de isolamento.

Transtorno de Humor Bipolar

O Transtorno Bipolar é uma doença grave, limitante e que pode causar prejuízos importantes na vida de uma pessoa. A principal característica do Transtorno Bipolar é a presença de instabilidade ou oscilação do humor. A pessoa bipolar apresenta fases de depressão e fases de mania ou euforia que se alternam ao longo do tempo. Pode manifestar-se de varias formas, dependendo da duração e intensidade das fases de mania e depressão. Na euforia ou mania, ocorre uma ativação dos processos psíquicos, o humor do paciente fica exaltado, (para cima), com aumento de energia, de forma desproporcional ou sem relação com eventos da vida. O paciente pode se irritar facilmente e o fluxo de idéias fica acelerado. Também pode acontecer de subitamente, a pessoa passar a ter idéias bizarras, místicas, politicas ou espirituais que não fazem parte de suas crenças habituais. Na mania acontecem mudanças importantes no comportamento e raciocínio ( condutas impulsivas, comportamentos de risco, “alegria contagiante”, pensamento e fala acelerados ). A família e as pessoas à volta percebem claramente as mudanças que, em geral, acontecem de forma abrupta. Quem não sabe que a pessoa é bipolar, quando a conhece na fase mania, muito provavelmente vai se encantar e se contagiar com o humor enérgico. Os principais sintomas da Mania ou Hipomania são:

  • Aumento da Energia: excesso de atividade na comunicação, trabalho, estudos, compras, sexo, exercícios e viagens .
  • Humor irritável ;
  • Eurofia;
  • Aumento da agressividade;
  • Impulsividade;
  • Humor explosivo;
  • Aceleração de pensamentos, muitas idéias, planos e devaneios.
  • Pensamentos com conteúdo exageradamente positivo: otimismo, sentimento de superioridade, autoconfiança, arrogância, coragem, perda de timidez;
  • Uso mais frequente do alcool ou outras drogas;
  • Diminuição da necessidade de sono.

Causas
O Transtorno Bipolar é uma doença multifatorial e está relacionado com a hereditariedade, predisposição biológica, fatores ambientais e psicológicos. Entre os fatores ambientais, estão a família, os vínculos e os eventos estressores ( perdas, luto, separações, mudanças, uso de álcool e drogas ).

Tratamento
O tratamento indicado para o Transtorno Bipolar é prioritariamente farmacológico e feito por um psiquiatra, mas a associação da farmacoterapia com a psicoterapia é a forma mais eficaz de controlar os sintomas e prevenir recaídas.

Manifestação
Pode iniciar na infância, geralmente com sintomas como irritabilidade intensa, impulsividade e aparentes “tempestades afetivas”. Um terço dos indivíduos manifestará a doença na adolescência e quase dois terços, até os 19 anos de idade, podendo também se manifestar  entre os 45 e 50 anos.

 

Separação e filhos pequenos

Atualmente o número de casais que se divorciam é bastante significativo. Pesquisas apontam que uma das fases de maior desentendimento e desequilíbrio na vida conjugal é a fase do nascimento dos filhos em virtude das mudanças como:  novas demandas, alteração na rotina,  sobrecarga devido aos cuidados, introdução de um novo membro na família,  distanciamento temporário do casal em virtude da atenção voltada para o filho, necessidade de novos acordos,  arranjos e papéis por parte dos pais, entre outras alterações. As pesquisas também apontam que  grande parte das separações se concentram no período da primeira infância dos filhos que acabam sendo a parte mais afetada, pois normalmente os desacordos entre o casal impedem o exercício de uma co parternidade positiva.

Entende-se por co parternidade positiva  a parceria dos pais na criação dos filhos, independente da situação conjugal.  Felizmente atualmente existe um movimento educacional,  social e jurídico bastante importante voltado às questões relacionadas ao cuidado no manejo com os filhos nos processos de separação. Este movimento é devido ao reconhecimento do impacto emocional e da influencia negativa na personalidade que uma  criança  pode sofrer em virtude de uma separação traumática da relação.

O impacto da separação conjugal sem dúvida é um trauma que   atinge toda a família, mas em especial os filhos, quando ainda são crianças. Apesar deste processo, ser uma situação de crise, caracterizada por perdas, mudanças e sofrimento, a criança tem mais chances de desenvolver um psiquismo saudável em um ambiente seguro, livre de tensões, discussões, desentendimentos e desavenças. É de extrema importância que os pais, mesmo separados, possam auxiliar seus filhos neste processo de separação tão ameaçador para uma criança. São diferentes e complicadas questões  pelas quais os filhos passam sem saber como lidar,  tais como:  saída de casa do pai ou da mãe, adaptações necessárias em virtude das mudanças ( residência, rotina, padrão de vida, etc ) e ainda a percepção em relação à luta dos pais contra sentimentos de culpa, tristeza, solidão, raiva, frustração, fracasso e ansiedade. Estas reações por parte dos pais dificultam a disponibilidade afetiva aos filhos,  impedindo ainda a existência de um ambiente estabilizador e continente. A criança acaba desenvolvendo sintomas semelhantes como alterações no humor, transtornos de ansiedade, desamparo, culpa, confusão, raiva, entre outros.

Sem dúvida é um processo que não é superado da noite para o dia, nem por nenhuma das partes, porém, através de alguns ajustes necessários e manejos é possível o enfrentamento para a superação progressiva, com menos prejuízos e danos. O processo inicial é o mais delicado e certamente exige mais da família ( pais e filhos ), mesmo quando parece ser algo impossível de ajuste e manejo. Por mais afetos negativos desencadeados por uma separação é possível sim que o casal consiga  manejar a situação preservando a co paternidade a favor dos filhos.  Em virtude da fragilidade emocional é comum o sofrimento por parte de  ambos os cônjuges . Geralmente aquele que fica com a guarda das crianças, sente-se sobrecarregado e com muitas responsabilidades para administrar e dar conta em um só momento. É importante que a rede de apoio possa ser ampliada, através da família, amigos e outras pessoas que possam ajudar no cuidado com os filhos. Para o cônjuge que sai de casa, as dificuldades podem  estar relacionadas a sentimentos de perda,  falta de continuidade, culpa, confusão, distanciamento dos filhos e nova moradia. No caso de filhos ainda bebês é importante atentar ao fato da necessidade da continuidade na relação, para que o vínculo possa ser permanecido e não rompido ou enfraquecido. O vínculo se desenvolve na medida em que o progenitor participa e compartilha da rotina diária e dos cuidados da criança.  Muitos homens consideram-se inadequados para o papel de cuidador, principalmente quando deixaram para  a mãe esta tarefa da criação dos filhos se distanciando do relacionamento.  O perigo desta fase corresponde à possibilidade do pai perder  o contato com os filhos e a mãe desenvolver uma relação de intenso apego com os mesmos, muitas vezes não permitindo ou dificultando o pouco contato com a figura paterna.

A terapia familiar, de casal ou até mesmo individual com a criança abrindo espaços para sessões com os pais é um recurso altamente positivo e eficaz. Sendo terapia de casal, o terapeuta auxilia os mesmos no processo de separação e  na redefinição do vínculo que deve ser transformado , possibilitando aos mesmos o reconhecimento de que um relacionamento de co paternidade beneficiará a eles e aos filhos. É importante ressaltar que os filhos sofrem, independente da idade e do estágio que se encontram. Quando maiores, ou seja,  na idade pré escolar, já são suficientemente crescidos para perceberem o que está acontecendo, porém, ainda inexiste a  adequada capacidade emocional para lidarem com o rompimento. São crianças que desenvolvem sentimentos de pesar, abandono, tristeza, saudade e culpa, porém ao mesmo tempo, conservam fantasias de reconciliação. Cabe salientar a importância dos ajustes e manejos estabilizadores, para que a criança possa se sentir amada e segura, portanto, ficam as seguintes dicas:

– Os pais devem conversar com seus filhos sobre a separação conjugal, procurando transparecer certa naturalidade, para que a situação não seja entendida pela criança como algo confuso, ameaçador e catastrófico;

– Visando uma melhor adaptação à situação é importante que os pais possam preparar seus filhos para todas as mudanças decorrente do processo;

– Possibilitar que os filhos possam de alguma forma manifestar suas emoções, reviverndo a situação através da fala ,  histórias,  desenho, jogos ou brincadeiras. Isso é importante para o processo de elaboração e aceitação.

– É importante que os filhos possam ter um plano bem definido de visitação e contato com o pai ou a mãe que saiu de casa. Esta definição estabiliza e organiza as fantasias da criança de abandono e desamparo, proporcionando condições favoráveis a percepção de que ainda é amada e protegida.

– É importante que os pais possam separar os sentimentos do casal e ter em mente que independente da fragilidade e da culpa, os limites e regras na educação dos filhos são essenciais para um ambiente organizador e seguro.

– Evitar situações de conflito e discórdia na frente das crianças. Discussões favorecem a desorganização emocional  contribuindo para que a criança seja ainda mais reativa perante a situação.

– A criança nunca deve ser colocada para dormir na cama junto com os pais. Trata-se de esta situação que pode gerar fantasias inconscientes por parte da criança de estar ocupando um lugar que não é seu, interferir no desenvolvimento da segurança afetiva e desencadear sintomas de ansiedade.

– A criança deve ser incentivada por parte da mãe conviver positivamente com o pai e vice versa. Muitas vezes o filho resiste no plano de visitação, porque identifica-se com comportamentos e sentimentos de um dos pais.

– Os pais não devem falar mal um do outro na frente do filho que sente-se muito confuso e triste perante estas situações. Por ser uma situação de crise, capaz de gerar comprometimento na disponibilidade afetiva por parte dos pais, muitas vezes os mesmos acabam compensando a relação com os filhos, através de presentes, permissividade e super proteção. Cabe salientar que nada compensa a presença afetiva , bem como um ambiente organizado com regras, limites e disciplina. Por mais difícil que seja, é importante o entendimento de  que a parte mais frágil ainda são os filhos, pois carecem da maturidade que os pais já adquiriram ao longo da vida para lidar com a tristeza, ansiedade e tantos outros sentimentos desencadeados em situações de crise.