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Depressão e Bipolaridade: O humor e suas variações.

Atualmente, muito se ouve falar sobre transtornos de humor em especial a bipolaridade e depressão. Muitas pessoas recebem estes diagnósticos em virtude da presença de sintomas bem característicos. Quando os sintomas não são muito característicos, o diagnóstico pode ser facilmente confundido, portanto uma avaliação bem sucedida requer cautela, devendo  ser realizada pelo médico psiquiatra. Mas afinal o que o transtorno bipolar e a depressão apresentam em comum?

Vamos partir do entendimento em relação ao estado eutímico. Entende-se por eutimia, a linha do humor estável e regulado em que a pessoa sente-se bem consigo mesma, reagindo de forma proporcional aos acontecimentos do dia a dia  em termos de tempo e intensidade. O ideal é que a eutimia seja o humor predominante, que serve como ponto de partida  para a transição em outros estados de acordo com os acontecimentos, devendo a reação emocional ser proporcional em termos intensidade e tempo,  retomando  ao  estado anterior ( eutimico ). De acordo com o tipo de temperamento predominante, não é possível manter a linha eutimica como ponto de partida. Vivemos uma geração de pessoas alteradas em termos de humor, em virtude das  muitas demandas, estímulos, competitividade e relações adoecidas, sendo a grande maioria acometida pelo estresse e transtornos de ansiedade . Neste caso é comum observar uma pessoa com humor ansioso como característica predominante não significando alteração de humor ou algum transtorno de ansiedade.

Entende-se por alteração do humor a oscilação pelo qual o mesmo é acometido, resultando na instabilidade e imprevisibilidade  sem motivos aparentes ou não justificáveis para tamanha reação. Um acontecimento bem manejado por alguém que não sofre de alteração de humor, pode ser um gatilho para quem apresenta este problema. Diferente da depressão que apresenta apenas a queda do humor ( partindo da eutimia ), na bipolaridade, existe a oscilação entre os diferentes estados de humores, podendo variar  entre tristeza, irritação e euforia. A euforia  apresenta duas faces, o humor enérgico e autoconfiante e por outro lado o irritado e explosivo.

A grande marca da bipolaridade é a oscilação do humor tanto para cima ( euforia ) como para baixo ( tristeza ). O pólo acima inclui os estados de hipertimia, hipomania, disforia e euforia. A hipertimia e hipomania são estados semelhantes à euforia, mas em níveis menos intenso, caracterizados pelo excesso de bom humor, energia, autoconfiança, disposição,  expansão, impulsividade, exagero nas condutas, intensidade na comunicação e sentimentos, tendência ao desafio, oposição , comportamentos de risco, entre outras características. A disforia é caracterizada pela tensão, ansiedade, irritação, crises explosivas e agitação. O pólo abaixo inclui tristeza, apatia, melancolia, angustia, desesperança, pouca energia, negativismo, passividade, isolamento, cansaço, dificuldades de concentração e alterações no apetite e sono. O humor ansioso pode estar presente nos dois pólos e consiste na preocupação, insegurança, apreensão, dispersão e inquietação.

O transtorno bipolar apresenta causas hereditárias e ambientais a partir da interação com o ambiente familiar. A medicação é  imprescindível na regulação do humor. As medicações mais utilizadas são os estabilizadores de humor. A pessoa deve manter a medicação mesmo quando se sente estável, pois um dos objetivos do tratamento é a prevenção das crises e oscilações. A psicoterapia no transtorno bipolar auxilia na psicoeducação em termos de adesão ao tratamento médico, autoconhecimento,  melhora na qualidade de vida , adaptação ao ambiente e relações interpessoais.  Sendo tratado adequadamente o prognóstico é positivo, sendo possível uma vida tranqüila e humor  regulado. É importante além da medicação e psicoterapia, o apoio dos familiares e amigos mais próximos.

A depressão como já foi dito anteriormente, não apresenta oscilação e nem instabilidade. O humor simplesmente baixa e ali fica até retomar ao estado eutímico. Muito dificilmente é possível a cura da depressão sem tratamento com medicação e psicoterapia. Em alguns casos, dependendo do nível da depressão, ou seja, se for um grau leve, é possível a melhora significativa dos  sintomas somente através da psicoterapia, mudança de hábitos, afastamento dos estressores ( situações aversivas ) e o apoio de familiares e amigos. Em nível moderado à grave o acompanhamento psiquiátrico e medicação, são imprescindíveis para a regulação dos neurotransmissores responsáveis pela sensação de prazer, bem estar, disposição iniciativa e motivação. Trata-se de um transtorno que apresenta componente hereditário e ambiental. Apesar da bipolaridade popularmente ser mais preocupante, a depressão é um transtorno grave que afeta a saúde mental e física,  interferindo negativamente nas diferentes áreas da vida. Atividade física, alimentação equilibrada,  sol, atividades prazerosas e relações significativas ( familiar, social e afetiva ) são antidepressivos naturais que auxiliam na produção de serotonina, neurotransmissor responsável pela sensação de bem estar.

Preciso de terapia?

É muito comum questionamentos por parte das pessoas que desejam iniciar terapia ou até mesmo pacientes iniciantes, sobre suas motivações e necessidades em relação ao fazer ou não psicoterapia.  Pacientes mais intermediários também não estão isentos desta condição, pois existem momentos na psicoterapia caracterizados pelo alívio dos sintomas que podem ser facilmente confundidos com o processo de alta. Neste texto, vou focar no primeiro grupo mencionado, ou seja, aqueles com interesse na terapia ou pacientes iniciantes, com o objetivo de auxiliar estas pessoas nesta tomada de decisão que sem dúvida requer elaboração a partir de necessidades conscientes ou inconscientes.

Em primeiro lugar é importante entender a finalidade do processo terapêutico para que a pessoa saiba o que está buscando e se sua perspectiva pode ser atendida através deste recurso. A psicoterapia é um recurso terapêutico que tem como objetivo auxiliar a pessoa que busca ajuda a  lidar com suas questões de natureza pessoal, emocional,  afetiva, comportamental, familiar, social e profissional, removendo ou aliviando sintomas, amenizando o sofrimento desencadeado por conflitos psicológicos , crises relacionadas ao ciclo vital ou alguma desordem provocada por dificuldades ou problemas externos. A finalidade é a construção de uma boa relação consigo mesmo e com as outras pessoas. Desta forma, a pessoa  pode optar pela psicoterapia por julgar que algo não está bem em sua vida ( ou consigo), vive alguma situação que não consegue superar sozinha entendendo ser necessário o auxilio psicológico, por questões específicas e pontuais ( interna ou externa ) ou  simplesmente visando  o autoconhecimento.

Não existe necessidade maior ou menor e sim o desejo de cada um em iniciar ou permanecer em terapia.  O que não se pode fazer é forçar uma pessoa a buscar auxilio psicológico. Muito dificilmente dá resultados a psicoterapia forçada, pois a pessoa já entra com resistência e certamente não vai interagir com o terapeuta devido à indisponibilidade interna para trabalhar suas questões. Ocorre também do paciente ingressar na terapia com questões bem pontuais relacionadas  a estressores ( eventos externos ) e logo quando os mesmos se resolvem , seja por causas naturais ou interferência terapêutica o paciente sente-se bem , com alívio imediato de seus sintomas e sofrimento. Neste caso cabe ao terapeuta auxiliar o mesmo na busca por novos focos e objetivos terapêuticos e se o paciente não desejar, deve ser considerada a possibilidade de alta.

As psicoterapias focais ou breves  consideram a alta terapêutica assim que os sintomas são aliviados , as dificuldades manejadas e estressores resolvidos. Existem diferentes abordagens com diversidades de técnicas que vão desde uma psicoterapia breve até longo prazo. Algumas abordagens entendem  que cabe ao terapeuta explorar demanda terapêutica ( necessidades, dificuldades e focos ) , auxiliando o paciente neste entendimento e engajamento no processo terapêutico. Esta exploração ocorre através de perguntas estratégicas abertas realizadas pelo terapeuta, cujo objetivo é auxiliar o paciente a falar ao máximo o que sente e pensa em relação as suas questões, áreas da vida, dificuldades e  comportamentos prejudiciais , visando refletir sobre a necessidade de alguma mudança. Esta técnica chama-se entrevista motivacional sendo indicada para pacientes que iniciam a psicoterapia ambivalentes em relação a mudança. Não existe certo ou errado, mas  sim a escolha da melhor abordagem e técnicas a serem utilizadas de acordo com o paciente. Cabe ao  terapeuta buscar  fazer o seu melhor para auxiliar o paciente em suas necessidades, respeitando seus desejos e perfil.

Bordeline: um jeito intenso de ser.

Intensidade no jeito de ser e viver. Quem não gostaria de viver intensamente as paixões, arranjar com facilidade novos amores, colecionar melhores amigos,  viver alegrias contagiantes, seduzir, ser o centro das atenções e desfrutar brilhantemente de seus talentos? Não seria uma má idéia, se a intensidade fosse apenas característica das emoções positivas, dos pontos fortes e do lado bom da vida. O problema surge perante as  variações da vida, sendo quase impossível lidar com as adversidades, principalmente com as experiências  que envolvem frustração, critica, rejeição, desaprovação,  perdas e abandono, mesmo que seja algo imaginário ou percebido de forma distorcida da realidade. Há um excesso em tudo que o que é dito e feito , sendo exagerada a maneira de pensar, sentir e agir.

Todos nós reagimos com afetos negativos perante as situações aversivas, porém quando as reações são freqüentes, intensas e desproporcionais, estamos falando de um tipo específico de personalidade chamada Bordeline, caracterizada por instabilidade nas emoções,  relações, nos afetos, humor, auto-imagem e na própria identidade.  O jeito bordeline de ser é marcado pelas seguintes características:

  • Temperamento explosivo
  • Raiva , impulsividade  e descontrole emocional.
  • Instabilidade de humor
  • Ciúme incontrolável
  • Condutas autodestrutivas
  • Dependência afetiva m
  • Medo intenso da rejeição e possibilidade do abandono,
  • Reação exagerada aos términos de relacionamento
  • Sentimentos de vazio e insatisfação crônica.

Nos momentos em baixa,  a pessoa experimenta sentimentos de vazio existencial  através das idéias de que a vida é tediosa e sem graça. Comportamentos de risco, automutilação e ideação suicida também são características da personalidade bordeline.  Geralmente são pessoas descritas por suas relações mais intimas, como instáveis e difíceis de conviver. A instabilidade nas relações afetivas é uma das principais características que leva a pessoa a sentir um enorme vazio dentro de si que nada e ninguém é capaz de preencher.  Literalmente são pessoas que vivem no limite das emoções. O excesso de sentimentos faz com que a percepção da realidade seja exagerada, seja em situações que gerem emoções positivas ou negativas. O racional perde espaço para a hemorragia emocional , sendo bastante difícil a possibilidade de aceitar e lidar positivamente com as frustrações e perdas.  Como a vida é uma variável, não sendo possível apenas viver o lado bom, é bastante grande a oscilação do humor, afetos e emoções , resultando na instabilidade da personalidade. Em seus descontroles afetivos, a pessoa pode reagir com ataques de raiva, acessos de fúria , intensa reatividade emocional e impulsividade descabida.

Apesar da facilidade em fazer novas amizades e conquistar novos amores, os relacionamentos são sempre intensos e sofridos, não sendo mantidos por muito tempo. A procura por relações substitutas é uma constante, pois  a pessoa não consegue viver sozinha, necessitando o tempo todo de parceiros amorosos para se sentir completa, exigindo atenção, provas de amor e amparo incessantemente. Neste caso é possível observar a tendência à dependência afetiva e ao apego excessivo em relação ao outro.

É importante o cuidado antes de identificar e diagnosticar uma pessoa com personalidade bordeline, pois algumas características são bastante comuns a outros tipos de personalidade. Algumas pessoas podem apresentar algumas características  bordeline e não ser um border, até porque existem outros diagnósticos como, por exemplo, a Bipolaridade e o TDAH, que apresentam características semelhantes ao funcionamento desta personalidade.   O que caracteriza de fato o transtorno de personalidade bordeline é a presença da maioria das características  bem como o padrão de freqüência e intensidade.

Você sabe ser assertivo na comunicação?

Comunicação Assertiva

 

A comunicação é uma ferramenta de extrema importância nas relações, independente do contexto, seja ele afetivo, social, profissional ou familiar. A grande maioria dos rompimentos, desentendimentos e ansiedades de ordem relacional ocorre em virtude de uma comunicação falha, deficiente, inadequada ou negativa. Independente do termo a ser utilizado, quando a comunicação não é direta, legítima e espontânea,  o risco de distorções em relação às interpretações aumenta. Dificuldades em dizer e ouvir não é um exemplo de comunicação deficiente. Quando deixamos de dizer não a favor das necessidades do outro, de certo modo oprimimos nossos desejos e subjugamos nossas necessidades. Algumas pessoas apresentam dificuldades para se posicionar, não são autênticas, inibem suas opiniões e comportamentos a favor do “bem senso”, pelo medo de serem agressivas, por excesso de insegurança  ou pela falta de coragem para se afirmar. São pessoas que funcionam de forma passiva e não assertiva.

Mas o que é assertividade? Assertividade significa comunicar algo positivo ou negativo com a devida segurança a partir das próprias convicções, pontos de vistas e sentimento. É ter atitude e não inibir comportamentos. A idéia não é o confronto de idéias e nem a persuasão  e sim ser  autêntico e seguro na maneira de interagir e se posicionar , sem temer desagradar o outro ou evitar conflitos. A pessoa assertiva não é rígida em suas convicções, muito pelo contrário, sua segurança interna possibilita aceitar críticas construtivas,  negociar as diferenças, fazer acordos com sabedoria e maturidade, bem como aceitar a assertividade do outro. Quanto mais assertivo for uma pessoa, maior será sua auto confiança e capacidade para lidar com o aversivo e fazer seus devidos enfrentamentos.

Entre as habilidades essenciais para uma boa comunicação e conseqüentemente para  relações interpessoais  mais satisfatórias, está o aprendizado da assertividade que inclui o treinamento de como fazer afirmações e solicitações legítimas com base no que se pensa, sente, deseja e necessita sem ameaçar, atacar , desrespeitar ou agredir o outro. A assertividade é uma habilidade apreendida, que deve ser incentivada e estimulada ao longo da infância. Se a criança não é ensinada e estimulada a se comunicar de forma assertiva, dificilmente será um adulto assertivo, a não ser que seus traços de personalidade favoreçam o desenvolvimento da assertividade a partir das experiências e interação com o ambiente ( sem o estimulo dos pais, cuidadores ou outras pessoas significativas).

Em terapia, o paciente é ensinado através de técnicas cognitivas e comportamentais para comunicar-se de forma assertiva. As técnicas cognitivas são utilizadas para trabalhar os pensamentos e crenças limitantes que interferem negativamente no comportamento assertivo. Do ponto de vista comportamental,  a técnica chama-se “treinamento de assertividade” , ou seja, o paciente é ensinado, incentivado e treinado a praticar respostas e comportamentos assertivos Neste treinamento é possível aprender a comunicar os sentimentos, pensamentos e necessidades de forma clara e objetiva com regulação no tom de voz, sem agressividade e acusação.  A técnica também inclui além da comunicação assertiva a escuta ativa e empática. Entende-se por escuta ativa, o interesse e atenção  em relação ao que o outro está comunicando. A escuta empática inclui colocar-se no lugar do outro, objetivando o entendimento e a compreensão  em relação ao que está sendo comunicado.

No treinamento assertivo, o paciente exercita alguns comportamentos a partir da interação com o terapeuta e fora da sessão em escaladas que na prática  variam do nível fácil até o mais difícil como, por exemplo:

  • Iniciar e manter uma conversa;
  • Ouvir o outro com interesse e atenção;
  • Comunicar sentimentos e necessidades;
  • Comunicar dúvidas e incertezas em relação ao que o outro possa estar pensando ou sentindo;
  • Esclarecer mal entendidos;
  • Ser autêntico;
  • Ter atitudes;
  • Tomar decisões;
  • Ser empático colocando-se no lugar do outro;
  • Falar em publico;
  • Expressar sentimentos positivos como gratidão e afeto pelo outro;
  • Defender seus direitos e pontos de vista;
  • Pedir ajuda e ajudar;
  • Dizer não e suportar ouvir não;
  • Aceitar e fazer elogios;
  • Saber discordar;
  • Saber comunicar aquilo que desagrada ou incomoda;
  • Pedir desculpas quando um erro ou equívoco são percebidos;
  • Pedido de mudança no comportamento do outro com respeito à sua individualidade e privacidade;
  • Aceitar críticas construtivas;
  • Falar o que está pensando;
  • Regulação do tom da voz;

 

 

Uma postura assertiva auxilia no empoderamento pessoal, fortalece a auto-estima,  melhora as relações do ponto de vista qualitativo , diminui a ansiedade , evita somatização e contribui para o  bom humor.

 

Distimia: um tipo de depressão comum e de dificil diagnóstico.

Entre os transtornos de humor, a depressão é uma das alterações mais conhecida e facilmente diagnosticada através dos sintomas.  O diagnóstico começa a não ficar tão claro quando falamos em níveis e subtipos da depressão. O transtorno depressivo é caracterizado por níveis, sendo leve, moderado e grave. Entre os subtipos da depressão está a distima que é uma condição crônica, diferente da depressão que é um estado. Na distima  “a pessoa não está assim, ela é assim”, ou seja, os sintomas se confundem com o jeito de ser do individuo. É como se fosse uma depressão muito leve, com baixo grau de sintomas, porém os mesmos são crônicos, o que faz o diagnóstico ser grave,  pois em longo prazo a vida acaba sendo prejudicada em relação às esferas afetiva, interpessoal, social e familiar.                         Os sintomas mais freqüentes que caracterizam a distimia são: pessimismo, apatia, baixa  energia e motivação, desinteresse por atividades prazerosas, dificuldade de concentração, desesperança, queixas, crítica, baixa auto-estima, investimento na esfera profissional e afastamento das atividades relacionadas à  vida afetiva, familiar e social. Geralmente a pessoa com distimia tem características obsessivas, é perfeccionista e evitativa ( evita pessoas e situações ). O foco é concentrado na atividade profissional, sendo aquela pessoa que aparentemente não apresenta problemas  nas outras áreas da vida, pois se relaciona de forma superficial e com um certo distanciamento emocional.                                 Nem sempre os pacientes e familiares, percebem a presença de um transtorno, pois os sintomas são mascarados pela idéia de que este é o jeito de ser da pessoa.  Pelo fato da pessoa “ ser assim” e não “ estar assim”  , a maior dificuldade implica na consciência da existência de um transtorno de humor e conseqüentemente a procura espontânea pelo tratamento adequado. Desta forma, é possível para o  distímico, viver uma vida inteira, sem que seja identificado e diagnosticado o transtorno distímico.                                                                                                       A distimia geralmente tem inicio precoce, ou seja, os primeiros sintomas surgem na infância ou adolescência, havendo sempre a presença de comorbidades ( outros transtornos ) e estressores . Na adolescência, o transtorno  é associado o abuso de substâncias, automutilação,  transtornos alimentares e de ansiedade. Na idade adulta e velhice, os estressores psicossociais apresentam maior relação com os transtornos depressivos.  Entre os estressores psicossociais estão: baixo suporte social desestrutura familiar, história de abuso e negligência na infância, perdas, mudanças, conflitos, entre outros. Em relação à genética, filhos de pais alcoolistas ou com história de transtorno de humor, são mais propensos à distimia. Entre as comorbidades, os episódios depressivos ( depressão maior) estão associados, neste caso, o diagnóstico passa a ser denominado “ depressão dupla”.                           A sintomatologia crônica  é a  responsável pela deficiência do treinamento de habilidades sociais nas diferentes esferas da vida. A importância do diagnóstico precoce e o tratamento adequado é importante para a melhora em relação qualidade de vida.  A distima ainda é uma doença de difícil diagnóstico em virtude de suas comorbidades, traços de personalidade, bem como  semelhança em relação à sintomatologia da depressão maior. Para que o diagnóstico seja considerado válido é preciso determinar a estabilidade e freqüência dos sintomas  ao longo do tempo. Identificado o diagnóstico do transtorno distimico, a doença é passível de tratamento que deve  incluir medicação e psicoterapia.                             A terapia cognitivo comportamental  trabalha as habilidades para resolução de problemas, reestruturação cognitiva, modificação das crenças disfuncionais,  ( enfatizando o processo de racionalidade), ativação comportamental , bem como os aspectos relacionados ao diagnóstico e tratamento através da psicoeducação . O tratamento farmacológico de escolha implica na medicação antidepressiva, sendo que de acordo com os estudos, 50%  a 60% dos pacientes obtêm resultados positivos. Apesar das especificações acerca dos critérios ainda permanece sendo uma doença pouco identificada em virtude da complexa sintomatologia e controvérsias sobre ser um quadro clínico passível de diagnóstico e tratamento ou um transtorno de personalidade.

 

Automutilação na adolescência

Automutilação na adolescencia

Não existe adolescência normal sem perturbações. É importante a compreensão de que as alterações no humor e condutas  não caracterizam patologias psíquicas e sim uma desordem necessária para adaptação as diferentes mudanças, incluindo aspectos físicos, hormonais, sentimentais e cognitivos. São instalados nesta fase, conflitos que facilmente afetam a família, estudo e  relações sociais. Grande parte dos conflitos salientes na adolescência, têm suas raízes na infância, a partir das internalizações das relações primárias ( pais e cuidadores ), vínculos estabelecidos na família, acontecimentos traumáticos e manejo  das necessidades emocionais básicas tais como: vínculos seguros, ambiente protetor e organizado, cuidado, aceitação, autonomia, competência, sentimento de identidade, liberdade de expressão, validação, espontaneidade, lazer, limites e auto controle.

Apesar de ser considerado normal a presença de conflitos , a adolescência é um período de fragilidades, que vai ao encontro de muitas questões infantis. É uma fase propícia a  desordem psicológica podendo resultar em graves transtornos psiquiátricos. O humor deprimido pode ser considerado normal em virtude de sentimentos relacionados ao tédio, incompreensão, vergonha, introversão e baixa auto-estima, porém, deve ser diferenciado de estados depressivos. Quando o sofrimento é intenso, condutas preocupantes e anormais são desenvolvidas, sendo um sintoma que requer alerta, atenção e cuidado por parte da família e profissionais da saúde.

A automutilação é um distúrbio de comportamento em que a pessoa agride o próprio corpo ao sentir  profunda tristeza, culpa, raiva, frustração ou angústia  com o intuito de aliviar o sofrimento. É um transtorno psiquiátrico  que requer tratamento.  A detecção precoce de distúrbios psiquiátricos na adolescência contribui para o  desenvolvimento saudável da organização psíquica , protegendo a pessoa de  comportamentos de riscos, ideação suicida e transtornos de personalidade.

A automutilação tem relação direta com sintomas  de  depressão e ansiedade, correspondendo aos cortes, queimaduras e batidas do corpo contra a parede. É uma forma de comunicação pelo fato de não ser possível comunicar o sofrimento de outra maneira, seja pela falta de escuta, espaço, compreensão, apoio ou até mesmo pela impossibilidade de não saber como e o que falar. Antigamente, tratava-se de um distúrbio discreto, porém, após revelações de figuras públicas,  atenção da mídia e formação de grupos virtuais, esta conduta passou a despertar a curiosidade dos jovens, sendo elemento de identificação e recurso  para alívio da dor emocional .

Ansiedade: Saiba como a psicoterapia cognitiva pode ajudar.

Como a psicoterapia cognitiva pode ajudar na ansiedade?

Entre as opções de tratamento psicoterápico para ansiedade, está a abordagem cognitiva. A terapia cognitiva é um tratamento psicológico organizado e sistemático que ensina as pessoas a mudarem os pensamentos, crenças e atitudes que desempenham um papel importante nos estados emocionais negativos como a ansiedade.

A idéia central da terapia cognitiva é que os pensamentos influenciam os sentimentos que interferem no comportamento. O tratamento é breve e altamente estruturado que se dá por meio da palavra e se concentra nas vivências cotidianas , ensinando as pessoas na identificação, avaliação e mudança de seus pensamentos automáticos disfuncionais, através da avaliação sistemática e planos de ação cognitivo e comportamental. Pode varias de 6 a 20 sessões semanais individuais, com possibilidade de ser quinzenal na fase próxima ao término. São incluídas as seguintes fases:

Avaliação: O terapeuta avalia  a natureza do problema relacionado à ansiedade através de instrumentos de avaliação e questionamentos direcionados aos sintomas e história de vida atual e pregressa. O objetivo é a compreensão da natureza da ansiedade e o desenvolvimento de um plano de tratamento.

Intervenção: Visa identificar e ajustar os pensamentos automáticos e crenças disfuncionais relacionados à ansiedade, bem como colocar em prática o plano de ação , através das técnicas cognitivas e comportamentais.

Término: As sessões concentram-se nas habilidades cognitivas e comportamentais desenvolvidas para manejo da ansiedade, bem como o controle de episódios relacionados as recaídas.

Geralmente a estrutura de cada sessão se resume na revisão da presença dos sintomas da semana, avaliação do plano da sessão anterior, trabalho dos tópicos específicos através da identificação, avaliação e modificação cognitiva, elaboração da tarefa de casa ( plano de ação )  e resumo da sessão ( feedback). Entre os fatores terapêuticos, importantes estão a psicoeducação , questionamento socrático,  descoberta guiada e boa relação terapêutica. Por parte do paciente é importante a presença de motivação, expectativa positiva e boa capacidade de comunicação no sentido de conseguir abordar de  modo crítico e investigativo  as situações do dia a dia, pensamentos, sentimentos e comportamentos.

A Terapia Cognitiva é recomendada como um tratamento de primeira escolha  para os transtornos de ansiedade, sendo comprovado por estudos científicos clínicos  ser eficaz na redução e controle  dos sintomas. Outro dado importante apontado pelos estudos corresponde ao fato de que a psicoterapia produz uma melhora duradoura do que apenas o uso da medicação sem acompanhamento terapêutico.

Quando a ansiedade é um problema?

Quando a ansiedade é um problema? Saiba diferenciar a ansiedade normal da ansiedade patológica.

Atualmente muito se houve falar sobre a ansiedade,  sendo um tema que já se tornou bastante generalizado e que acomete grande parte da população. Facilmente o mal estar psíquico recebe o diagnóstico de ansiedade, rotulando a maioria das pessoas como ansiosas. Na verdade a ansiedade faz parte da natureza humana devido  relação com as incertezas, preocupações, medos e estados de apreensão. É difícil viver uma vida em estado de completa tranqüilidade e segurança, portanto, certo nível de ansiedade é normal e necessário para a sobrevivência.

A ansiedade torna-se um problema quando ultrapassa os níveis adequados em relação à freqüência e persistência dos sintomas gerando significativo prejuízo e sofrimento na vida da pessoa.  Uma pessoa que sofre de ansiedade em seus níveis alterados ( intensidade, freqüência e persistência dos sintomas ) e que tem áreas de sua vida afetada, pode ser considerada ansiosa e certamente sofre da ansiedade clínica. As pessoas ansiosas estão propensas a desenvolverem transtornos de  ansiedade como, por exemplo, o transtorno de ansiedade generalizada, pânico, fobias, TOC ( transtorno obsessivo compulsivo) , TEPT ( transtorno de estresse pós traumático ) e ansiedade de separação. Entre outros transtornos, a pessoa  fica mais sensível e reativa ao estresse , podendo também desencadear episódios depressivos.

Sintomas

Os sintomas de ansiedade incluem alterações a nível  cognitivo, emocional e comportamental ,  ou seja, quando se está ansioso, o  modo de pensar, sentir e se comportar é diferente e acentuado .  O corpo também responde aos estados de intensa ansiedade, resultado nos sintomas físicos. Entre alguns dos variados sintomas estão:

Cognitivos

  • Medo de perder o controle
  • Medo de não ser capaz ou de não conseguir algo
  • Medo de algum acontecimento trágico ou desfechos negativos
  • Medo de morrer, adoecer ou enlouquecer
  • Dificuldades de concentração e atenção
  • Percepção alterada ou potencializada da realidade
  • Superestimação do perigo e da ameaça
  • Confusão mental e esquecimentos
  • Dificuldade de raciocínio
  • Negativismo
  • Preocupação

Comportamentais

  • Evitação e fuga das situações temidas
  • Busca de segurança
  • Agitação e inquietação motora
  • Falar muito
  • Trocar palavras
  • Retraimento e isolamento
  • Insônia
  • Irritação

Emocionais

  • Angustia
  • Apreensão
  • Tensão
  • Frustração
  • Impaciência

Físicos

  • Falta de ar
  • Taquicardia
  • Sudorese
  • Tremor
  • Sensação de desmaio
  • Alteração da pressão arterial
  • Náusea

 

Entendendo a ansiedade

Os sintomas variam de um episódio para outro, de pessoa para pessoa e também na mesma pessoa, portanto as crises e os estados de ansiedade nem sempre são iguais.  Pode inclusive ser difícil em alguns casos, distinguir a ansiedade normal da anormal, cabendo a um profissional da saúde mental avaliar a intensidade e freqüência dos sintomas, bem como o grau de interferência  na vida diária .  A ansiedade chamada clínica, pressupõe a presença de uma significativa alteração, caracterizada por uma tendência  perceptiva e emocional exagerada, negativista , catastrófica, irrealista, intensa, persistente e generalizada.

A ansiedade geralmente está orientada para o futuro, sendo acompanhada do medo perante a percepção real,   potencializada ou imaginária de situações relacionadas ao perigo , desconhecido, ameaça  ou incertezas.   Na maioria das vezes o estado apreensivo está relacionado ao questionamento “E se?”  que está associado  a estados de vulnerabilidade,  intolerância as incertezas e impossibilidade de controlar e prever o futuro.

A mente ansiosa

O processo cognitivo é o maior responsável pelo desencadeamento e reforço da ansiedade. O modo como pensamos, pode determinar se o estado ansioso se intensifica, persiste ou diminui. Em outras palavras,  a ansiedade diminui naturalmente se não for dada a devida atenção.  O tratamento da ansiedade requer consciência e atenção psicológica , pois geralmente os pensamentos são automáticos, ou seja, a pessoa somente percebe as alterações emocionais. O cérebro automaticamente sofre influência das crenças ativadas e das experiências armazenadas , examinando o ambiente na busca de sinais de perigo e ameaça , resultando na percepção ansiosa e na expectativa apreensiva. Este processo superestima o perigo e a ameaça, subestimando a capacidade pessoal para o enfrentamento das situações aversivas ou temidas. São ativadas crenças ( pensamentos ) de incapacidade e vulnerabilidade que distorcem a realidade. Em outras palavras, a ansiedade distorce as cognições fazendo com que o foco seja concentrado no perigo, na  vulnerabilidade, ameaça e impotência.

A comunicação sexual na vida do casal

A comunicação é um dos principais recursos positivos na vida do casal, devendo ser investida e preservada. Obviamente depende de diferentes fatores que estão relacionados às questões de cada um ( capacidade de comunicação ) e da própria relação.  Quanto mais   cumplicidade e intimidade, maior será a chance da presença de uma comunicação saudável, livre de bloqueios e deficiências.  Obviamente, para ser possível falar sobre sexo é importante que o casal saiba comunicar-se no dia a dia, pois esta é a base que permite avançar para a comunicação sexual que exige acima de tudo intimidade na vida a dois. Sem intimidade dificilmente será possível falar sobre sexo. O sexo é uma área importante na vida do casal e deve ser falado com a mesma naturalidade com que se fala sobre as finanças,  questões pessoais de cada um, problemas da relação, trabalho, projetos, educação dos filhos, amenidades do dia a dia e da vida, entre tantas outras questões.

Apesar de vivermos uma geração  mais “educada sexualmente” em comparação com algumas décadas atrás, ainda existem preconceitos e tabus entre os casais na hora de falar sobre sexo .  A origem do bloqueio na comunicação sexual está ligada a diferentes razões, entre elas questões relacionadas à inibição, repressão, timidez, cultura familiar, medo do resultado negativo de  uma conversa franca e direta, crenças de não ser importante esta comunicação, negação das dificuldades sexuais, receio de exposição  e a visão apreendida do sexo ser assunto proibido.  São diversas motivações que geram ansiedade e condutas de evitação  quando o assunto é sexo. A inibição  é limitadora , impedindo até mesmo que seja pensado sobre o assunto, privando o casal da possibilidade pela busca de   entendimento  sobre as questões sexuais que norteiam a relação. Sem a comunicação sexual, os desajustes   quando presentes são mantidos,  instalando a insatisfação   e gerando problemas na vida do casal que muitas vezes são deslocados para outras áreas e manifestados de diferentes maneiras , como por exemplo o desejo por terceiros, infidelidade, agressividade, mau humor, afastamento , discórdias, discussões freqüentes e desgastes.

O conceito de sexo está ligado à vida, saúde, aliança entre duas pessoas,  intimidade física e psíquica, portanto deve ser  uma questão acolhida, cuidada e encarada  com maior naturalidade. Estudos apontam que a insatisfação sexual é um dos principais fatores responsáveis pelo divórcio .  Quando o casal consegue falar livremente  sobre seus desconfortos e ansiedades sexuais,  preferências, fantasias e vontades, são diminuídas as chances do divórcio e reforçado o vínculo de intimidade, portanto é essencial a quebra das barreiras que impedem  a comunicação sexual.

A terapia de casal possibilita um espaço para que a comunicação sexual seja pensada, minimizando a censura e auxiliando no treinamento de habilidades específicas para o enfrentamento das inibições e bloqueios. O casal é auxiliado a  pensar sobre sua sexualidade de forma construtiva para o  desenvolvimento da segurança e  auto-estima sexual  perante a relação. A comunicação sexual não tem como função  apenas comunicar o negativo visando mudanças, mas também reforçar as questões positivas e favorecer novas descobertas

A dor da separação

A separação conjugal  pode ser definida como uma crise que ocorre dentro do ciclo de vida familiar e que desafia a visão de vida básica de como devemos viver a vida . Corresponde a uma interrupção do tradicional ciclo, capaz de produzir desequilíbrio e sofrimento significativo na família,  em virtude da aquisição de novos papéis,  mudanças e perdas decorrentes do processo que exigem um luto a ser elaborado. Trata-se de uma transição que compreende tarefas emocionais  que precisam ser elaboradas e completadas para a superação, favorecendo desta forma que o individuo possa prosseguir em seu desenvolvimento.

Como em outras etapas da vida, as questões emocionais não resolvidas nesta fase, continuarão como obstáculos em relacionamentos futuros. Contudo, o trauma da separação conjugal, uma vez enfrentado e manejado, é capaz de proporcionar novos espaços afetivos e produzir transformações positivas através de reestruturações e amadurecimento. Em virtude  das perdas conseqüentes, a capacidade de enfrentamento torna-se diminuída e muitas vezes a pessoa envolvida não consegue pensar de forma racional em virtude da fragilidade emocional que se torna uma ameaça ao equilíbrio psíquico.

A psicoterapia pode auxiliar o paciente que enfrenta uma separação conjugal a lidar melhor com os estressores envolvidos através dos processos de elaboração, aceitação e ressignificações. A elaboração é necessária para que o luto possa ser vivenciado de uma forma mais adaptativa, portanto é saudável que o paciente possa se conectar com sua dor, para que suas emoções e sentimentos possam ser avaliados, adaptados e futuramente transformados. A aceitação é o segundo momento, após a elaboração, que permite ao paciente pensar de forma mais racional. É o momento em que serão avaliadas as forças pessoais, capacidades de enfrentamento e recursos disponíveis para a superação. A ressignificação é o momento em que o paciente já está com a esperança instalada no futuro e nas possibilidades de superação. O desfecho desta crise é uma elaboração progressiva

A percepção de que os estressores são desafios manejáveis, auxilia no enfrentamento da crise, desta forma, o paciente é incentivado a pensar em suas conquistas de desempenho para que seu senso de autoeficácia possa ser reforçado. Acreditar no senso de auto eficácia, proporciona ao paciente um contexto seguro para as necessárias mudanças, construções, ajustes, amadurecimento e superação.