Entenda sobre os Transtornos de Humor

Os  transtornos de humor são perturbações que alteram as condições normais do paciente, comprometendo  um ou mais aspectos na sua vida, seja, afetivo, social, familiar ou profissional. Para que seja feito um diagnóstico é necessário que os sintomas sejam examinados e avaliados cuidadosamente pelo profissional.  A avaliação é feita através da observação, relato de sintomas,  entrevista diagnóstica e aplicação de instrumentos de avaliação. Abaixo, estão relacionados os principais transtornos de humor e suas características e subtipos,  bem como causas, diagnóstico e tratamento.

Depressão

 A depressão é um estado caracterizado por sintomas relacionados a  tristeza,  apatia, desânimo,  indiferença,  pessimismo, desesperança, cansaço,  irritabilidade, impaciência, diminuição da concentração, perda da memória, ataques de ansiedade, idéias fixas,  entre outros. É comum pensamentos de morte, sentimentos de culpa, fracasso, perda  e sensação de vazio.  Considerando a  questão fisiológica,  é possível observar,  alterações no apetite , sono , pele, cabelos e unhas , diminuição da libido, náuseas,  dores no corpo e na cabeça.  É uma alteração psíquica que causa sofrimento e prejuízo na vida do paciente.

Causas da depressão

A depressão é causada por uma desordem bioquímica dos neurônios responsáveis pelo controle do estado de humor. Esta afirmação baseia-se na comprovada eficácia dos antidepressivos que regulam esta desordem através da sua ação. O fato de ser um desequilíbrio bioquímico não exclui tratamentos não farmacológicos, ou seja, a psicoterapia. O uso continuado da palavra, a escuta empática, o apoio e o acolhimento que a psicoterapia proporciona,  pode levar o paciente  a obter uma compensação bioquímica. Eventos desencadeantes ,  através de  acontecimentos estressantes contribuem para o início de um episódio depressivo.  Os eventos estressantes geralmente desencadeiam episódios depressivos  nas pessoas predispostas e vulneráveis à depressão. Exemplos de eventos estressantes são: luto, divórcio,  perda de emprego, mudança de habitação contra vontade, doença grave, acidentes e desastres. Entre os fatores que tornam as pessoas vulneráveis estão: a influência da genética, história de vida pregressa,  rede de apoio deficiente, estresse, acontecimentos vitais, estratégias de enfrentamento e crenças disfuncionais.

Diagnóstico da depressão

Na depressão a intensidade do sofrimento é intensa, durando a maior parte do dia por pelo menos duas semanas, nem sempre sendo possível saber porque a pessoa está assim. O mais importante é saber como a pessoa está se sentindo, como ela continua organizando a sua vida (trabalho, cuidados domésticos, cuidados pessoais , alimentação, vestuário) e como ela está se relacionando com outras pessoas, a fim de se diagnosticar a doença e se iniciar um tratamento médico eficaz.

Tratamento da depressão

A depressão quando tratada de forma adequada é reversível. O tratamento varia de acordo com a duração e intensidade dos sintomas, bem como com a precisão do diagnóstico. Entre as opções disponíveis está o uso de medicação ( antidepressivos ) que deve ser acompanhada pelo médico  e a psicoterapia . A psicoterapia pode ser conduzida pelo psicólogo ou psiquiatra, auxiliando o paciente na compreensão e entendimento a respeito das suas questões pessoais  e estratégias de enfrentamento.

Tipos de depressão

Depressão Maior ou Unipolar  – Para o diagnóstico de Depressão Maior,  devem estar presente no mínimo 5 sintomas de acordo com um período de no mínimo duas semanas. Dentre os sintomas, pelo menos um deve ser o humor deprimido ou a perda do interesse por atividades cotidianas. O quadro precisa causar prejuízo significativo nas atividades sociais, ocupacionais e de lazer. A Depressão Maior pode ser manifestada apenas por um único episódio, ou ser recorrente ( mais de 1 episódio ao longo da vida ). A Depressão pode surgir em resposta a um estresse identificável como perdas (reações de luto), doença física importante ou algum outro acontecimento grave. Corresponde a mais de 60% de todas as depressões.

Depressão Menor ou Distimia – A Distimia se caracteriza por um humor cronicamente triste ou deprimido na maior parte dos dias, na maioria dos dias, por no mínimo dois anos. Os humor é  triste, sendo confundido  com características de personalidade ( ex. “ ele é assim mesmo” ). É comum que a Distimia não seja diagnosticada e que o paciente se reconheça como tendo sido sempre “mal humorado”, apático ou irritado. A sintomatologia é em geral semelhante a da Depressão Maior, de forma menos intensa.  A Distimia tem início gradual, ou seja, instala-se lentamente ao longo do tempo. A pessoa com Distimia também pode apresentar um episódio depressivo maior em algum momento da vida. A diferença entre a Depressão Maior ( ateriormente descrita ) para a Distimia é que na Depressão a pessoa vivencia um episódio pontual ( está assim ) e na Distimia a pessoa “é assim “.

Depressão Bipolar – Se caracteriza por episódios depressivos decorrente do transtorno de humor bipolar. A depressão se alterna com fases de mania ( euforia ) ou de humor normal (oscilações do humor entre “altos e baixos” ). Quando deprimida, a pessoa pode ter alguns ou todos os sintomas de depressão. Quando em mania, torna-se falante, eufórica e/ou irritável, impulsiva,  cheia de energia, autoconfiante, com necessidade de sono reduzida, entre outros sintomas. A mania prejudica o raciocínio, a crítica (capacidade de julgamento) e o comportamento social, podendo ocasionar graves conseqüências e constrangimentos, pois a pessoa em fase mania apresenta condutas de risco, se envolve facilmente em negócios mirabolantes e incertos, gastos compulsivos, atitudes precipitadas e inadequadas ou em aventuras  sexuais . Se não tratada, a mania pode piorar, evoluindo para quadro psicótico (com delírios e/ou alucinações). Quando a mania passa a pessoa deprime muito pois é como se o humor depencasse de um andar alto para o chão. A pessoa se arrepende dos comportamentos que teve na fase eufórica, sente-se culpada e envergonhada, o que contribui para o humor negativo e condutas de isolamento.

Transtorno de Humor Bipolar

O Transtorno Bipolar é uma doença grave, limitante e que pode causar prejuízos importantes na vida de uma pessoa. A principal característica do Transtorno Bipolar é a presença de instabilidade ou oscilação do humor. A pessoa bipolar apresenta fases de depressão e fases de mania ou euforia que se alternam ao longo do tempo. Pode manifestar-se de varias formas, dependendo da duração e intensidade das fases de mania e depressão. Na euforia ou mania, ocorre uma ativação dos processos psíquicos, o humor do paciente fica exaltado, (para cima), com aumento de energia, de forma desproporcional ou sem relação com eventos da vida. O paciente pode se irritar facilmente e o fluxo de idéias fica acelerado. Também pode acontecer de subitamente, a pessoa passar a ter idéias bizarras, místicas, politicas ou espirituais que não fazem parte de suas crenças habituais. Na mania acontecem mudanças importantes no comportamento e raciocínio ( condutas impulsivas, comportamentos de risco, “alegria contagiante”, pensamento e fala acelerados ). A família e as pessoas à volta percebem claramente as mudanças que, em geral, acontecem de forma abrupta. Quem não sabe que a pessoa é bipolar, quando a conhece na fase mania, muito provavelmente vai se encantar e se contagiar com o humor enérgico. Os principais sintomas da Mania ou Hipomania são:

  • Aumento da Energia: excesso de atividade na comunicação, trabalho, estudos, compras, sexo, exercícios e viagens .
  • Humor irritável ;
  • Eurofia;
  • Aumento da agressividade;
  • Impulsividade;
  • Humor explosivo;
  • Aceleração de pensamentos, muitas idéias, planos e devaneios.
  • Pensamentos com conteúdo exageradamente positivo: otimismo, sentimento de superioridade, autoconfiança, arrogância, coragem, perda de timidez;
  • Uso mais frequente do alcool ou outras drogas;
  • Diminuição da necessidade de sono.

Causas
O Transtorno Bipolar é uma doença multifatorial e está relacionado com a hereditariedade, predisposição biológica, fatores ambientais e psicológicos. Entre os fatores ambientais, estão a família, os vínculos e os eventos estressores ( perdas, luto, separações, mudanças, uso de álcool e drogas ).

Tratamento
O tratamento indicado para o Transtorno Bipolar é prioritariamente farmacológico e feito por um psiquiatra, mas a associação da farmacoterapia com a psicoterapia é a forma mais eficaz de controlar os sintomas e prevenir recaídas.

Manifestação
Pode iniciar na infância, geralmente com sintomas como irritabilidade intensa, impulsividade e aparentes “tempestades afetivas”. Um terço dos indivíduos manifestará a doença na adolescência e quase dois terços, até os 19 anos de idade, podendo também se manifestar  entre os 45 e 50 anos.

 

Separação e filhos pequenos

Atualmente o número de casais que se divorciam é bastante significativo. Pesquisas apontam que uma das fases de maior desentendimento e desequilíbrio na vida conjugal é a fase do nascimento dos filhos em virtude das mudanças como:  novas demandas, alteração na rotina,  sobrecarga devido aos cuidados, introdução de um novo membro na família,  distanciamento temporário do casal em virtude da atenção voltada para o filho, necessidade de novos acordos,  arranjos e papéis por parte dos pais, entre outras alterações. As pesquisas também apontam que  grande parte das separações se concentram no período da primeira infância dos filhos que acabam sendo a parte mais afetada, pois normalmente os desacordos entre o casal impedem o exercício de uma co parternidade positiva.

Entende-se por co parternidade positiva  a parceria dos pais na criação dos filhos, independente da situação conjugal.  Felizmente atualmente existe um movimento educacional,  social e jurídico bastante importante voltado às questões relacionadas ao cuidado no manejo com os filhos nos processos de separação. Este movimento é devido ao reconhecimento do impacto emocional e da influencia negativa na personalidade que uma  criança  pode sofrer em virtude de uma separação traumática da relação.

O impacto da separação conjugal sem dúvida é um trauma que   atinge toda a família, mas em especial os filhos, quando ainda são crianças. Apesar deste processo, ser uma situação de crise, caracterizada por perdas, mudanças e sofrimento, a criança tem mais chances de desenvolver um psiquismo saudável em um ambiente seguro, livre de tensões, discussões, desentendimentos e desavenças. É de extrema importância que os pais, mesmo separados, possam auxiliar seus filhos neste processo de separação tão ameaçador para uma criança. São diferentes e complicadas questões  pelas quais os filhos passam sem saber como lidar,  tais como:  saída de casa do pai ou da mãe, adaptações necessárias em virtude das mudanças ( residência, rotina, padrão de vida, etc ) e ainda a percepção em relação à luta dos pais contra sentimentos de culpa, tristeza, solidão, raiva, frustração, fracasso e ansiedade. Estas reações por parte dos pais dificultam a disponibilidade afetiva aos filhos,  impedindo ainda a existência de um ambiente estabilizador e continente. A criança acaba desenvolvendo sintomas semelhantes como alterações no humor, transtornos de ansiedade, desamparo, culpa, confusão, raiva, entre outros.

Sem dúvida é um processo que não é superado da noite para o dia, nem por nenhuma das partes, porém, através de alguns ajustes necessários e manejos é possível o enfrentamento para a superação progressiva, com menos prejuízos e danos. O processo inicial é o mais delicado e certamente exige mais da família ( pais e filhos ), mesmo quando parece ser algo impossível de ajuste e manejo. Por mais afetos negativos desencadeados por uma separação é possível sim que o casal consiga  manejar a situação preservando a co paternidade a favor dos filhos.  Em virtude da fragilidade emocional é comum o sofrimento por parte de  ambos os cônjuges . Geralmente aquele que fica com a guarda das crianças, sente-se sobrecarregado e com muitas responsabilidades para administrar e dar conta em um só momento. É importante que a rede de apoio possa ser ampliada, através da família, amigos e outras pessoas que possam ajudar no cuidado com os filhos. Para o cônjuge que sai de casa, as dificuldades podem  estar relacionadas a sentimentos de perda,  falta de continuidade, culpa, confusão, distanciamento dos filhos e nova moradia. No caso de filhos ainda bebês é importante atentar ao fato da necessidade da continuidade na relação, para que o vínculo possa ser permanecido e não rompido ou enfraquecido. O vínculo se desenvolve na medida em que o progenitor participa e compartilha da rotina diária e dos cuidados da criança.  Muitos homens consideram-se inadequados para o papel de cuidador, principalmente quando deixaram para  a mãe esta tarefa da criação dos filhos se distanciando do relacionamento.  O perigo desta fase corresponde à possibilidade do pai perder  o contato com os filhos e a mãe desenvolver uma relação de intenso apego com os mesmos, muitas vezes não permitindo ou dificultando o pouco contato com a figura paterna.

A terapia familiar, de casal ou até mesmo individual com a criança abrindo espaços para sessões com os pais é um recurso altamente positivo e eficaz. Sendo terapia de casal, o terapeuta auxilia os mesmos no processo de separação e  na redefinição do vínculo que deve ser transformado , possibilitando aos mesmos o reconhecimento de que um relacionamento de co paternidade beneficiará a eles e aos filhos. É importante ressaltar que os filhos sofrem, independente da idade e do estágio que se encontram. Quando maiores, ou seja,  na idade pré escolar, já são suficientemente crescidos para perceberem o que está acontecendo, porém, ainda inexiste a  adequada capacidade emocional para lidarem com o rompimento. São crianças que desenvolvem sentimentos de pesar, abandono, tristeza, saudade e culpa, porém ao mesmo tempo, conservam fantasias de reconciliação. Cabe salientar a importância dos ajustes e manejos estabilizadores, para que a criança possa se sentir amada e segura, portanto, ficam as seguintes dicas:

– Os pais devem conversar com seus filhos sobre a separação conjugal, procurando transparecer certa naturalidade, para que a situação não seja entendida pela criança como algo confuso, ameaçador e catastrófico;

– Visando uma melhor adaptação à situação é importante que os pais possam preparar seus filhos para todas as mudanças decorrente do processo;

– Possibilitar que os filhos possam de alguma forma manifestar suas emoções, reviverndo a situação através da fala ,  histórias,  desenho, jogos ou brincadeiras. Isso é importante para o processo de elaboração e aceitação.

– É importante que os filhos possam ter um plano bem definido de visitação e contato com o pai ou a mãe que saiu de casa. Esta definição estabiliza e organiza as fantasias da criança de abandono e desamparo, proporcionando condições favoráveis a percepção de que ainda é amada e protegida.

– É importante que os pais possam separar os sentimentos do casal e ter em mente que independente da fragilidade e da culpa, os limites e regras na educação dos filhos são essenciais para um ambiente organizador e seguro.

– Evitar situações de conflito e discórdia na frente das crianças. Discussões favorecem a desorganização emocional  contribuindo para que a criança seja ainda mais reativa perante a situação.

– A criança nunca deve ser colocada para dormir na cama junto com os pais. Trata-se de esta situação que pode gerar fantasias inconscientes por parte da criança de estar ocupando um lugar que não é seu, interferir no desenvolvimento da segurança afetiva e desencadear sintomas de ansiedade.

– A criança deve ser incentivada por parte da mãe conviver positivamente com o pai e vice versa. Muitas vezes o filho resiste no plano de visitação, porque identifica-se com comportamentos e sentimentos de um dos pais.

– Os pais não devem falar mal um do outro na frente do filho que sente-se muito confuso e triste perante estas situações. Por ser uma situação de crise, capaz de gerar comprometimento na disponibilidade afetiva por parte dos pais, muitas vezes os mesmos acabam compensando a relação com os filhos, através de presentes, permissividade e super proteção. Cabe salientar que nada compensa a presença afetiva , bem como um ambiente organizado com regras, limites e disciplina. Por mais difícil que seja, é importante o entendimento de  que a parte mais frágil ainda são os filhos, pois carecem da maturidade que os pais já adquiriram ao longo da vida para lidar com a tristeza, ansiedade e tantos outros sentimentos desencadeados em situações de crise.

Terapia de Casal

Muitos casais em algum momento da relação conjugal buscam a terapia de casal como uma tentativa para lidar melhor com conflitos que surgem no casamento. Os conflitos podem estar relacionados à insatisfação, infelicidade, desentendimento, ausência de comunicação, pensamentos de separação, fracasso nas tentativas de reaproximação, segredo familiar, incompatibilidade, entre outras razões. Independente do motivo pela procura, a terapia tem como tarefa, auxiliar o casal a identificar os motivos que geram os desajustes e conflitos na relação conjugal.  O casal por si só, nem sempre consegue descobrir e analisar a causa dos atritos e superá-los, razão esta que acaba por despertar nos cônjuges sentimentos relacionados à incompetência e impotência.

Em uma relação saudável, espera-se que o casal sinta um pelo outro, amor e atração sexual, além da comunicação, confiança , companheirismo, tolerância, capacidade para  resolução de problemas e respeito às diferenças individuais. É importante que cada um possa se responsabilizar por seus pensamentos, sentimentos e comportamentos, sem esperar do outro a solução para seus conflitos , como por exemplo, esperar do outro que “cure” sua carência e preencha seus “vazios”. É comum a fantasia de completude e muitas pessoas se casam com a expectativa de que o outro irá suprir e/ou satisfazer todas as suas necessidades. Esta fantasia é responsável pelas frustrações que tanto atrapalham a relação conjugal, gerando brigas e desentendimentos contínuos. No casamento, as pessoas não mudam, na verdade elas são projetadas pelo outro e freqüentemente idealizadas. Com a convivência, o casal passa a se conhecer melhor e as expectativas são frustradas. O ideal inexiste.

A terapia de casal não é uma fórmula mágica para salvar o casamento, porém, é um espaço que facilita o diálogo e  oportuniza o casal a reconstruir, ressignificar, rever a vida a dois,  olhar para si , descobrir novas possibilidades de ação, repensar em suas atitudes e dificuldades, para que possam enfrentar os sentimentos que julgam difíceis de lidar.  A terapia de casal não tem como objetivo evitar o divórcio e sim melhorar o relacionamento em nível de satisfação e entendimento. No entanto, nada impede que o casal chegue à conclusão de que ambos serão mais felizes separados. Neste caso, a terapia  auxilia os cônjuges a enfrentarem a situação de forma menos traumática.

É bem comum que na terapia de casal, o terapeuta busca conhecer a vida dos  cônjuges, suas escolhas amorosas e as perspectivas de cada um , que levaram ao c\asamento ( o que esperavam e o que buscavam um no outro ). É de extrema relevância o entendimento acerca das histórias passadas de cada cônjuge, em especial, a dinâmica e o ciclo de vida familiar. Entende-se por ciclo de vida familiar, os diferentes estágios previstos, separados por transições ( mudanças ) pelos quais a família passa, ao longo do tempo. Desta forma é importante incluir no entendimento as seguintes questões:

– Contexto e estrutura familiar

– Como era o lar de onde vieram

– Como eram os papéis exercidos pelos membros da família

– Como eram as posições ocupadas por cada membro da família

– Quais crenças e regras foram levadas para o casamento

– Quais crenças e regras foram deixadas na família de origem

– Quais crenças e regras foram construídas na nova família

– Como era o relacionamento com os pais e o que tem se semelhante na relação conjugal

– O que se repete na relação conjugal que acontecia na família

Uma das transições do ciclo de vida familiar é a  fase quando o jovem adulto sai de casa.  Quanto mais satisfatória for esta transição do ponto de vista emocional, ou seja, do jovem adulto conseguir se diferenciar de forma saudável da família de origem, melhores serão as chances para o enfrentamento e criação de uma nova família a partir do casamento. No casamento é necessário que os cônjuges façam escolhas emocionais a partir do que será levado da família, o que será deixado para trás e o que será construído. O casamento tende a ser erroneamente compreendido como uma união de dois indivíduos, porém o que realmente ocorre é a modificação de duas famílias e o desenvolvimento de uma terceira, com direito a novas crenças, regras  e novos padrões de comunicação e relacionamento.

O importante é perceber que qual seja o estágio em que o casal se encontre , a relação  sempre será desafiada quanto à flexibilidade, ajustes , adaptações e construções , permitindo desta forma, que os conjuges possam  percorrer o ciclo de forma mais adequada e saudável.

 

Especialista em Psicoterapia Clínica / Especialista em Terapia de Casal e Sexualidade – CRP 07/19327