Distimia: um tipo de depressão comum e de dificil diagnóstico.

Entre os transtornos de humor, a depressão é uma das alterações mais conhecida e facilmente diagnosticada através dos sintomas.  O diagnóstico começa a não ficar tão claro quando falamos em níveis e subtipos da depressão. O transtorno depressivo é caracterizado por níveis, sendo leve, moderado e grave. Entre os subtipos da depressão está a distima que é uma condição crônica, diferente da depressão que é um estado. Na distima  “a pessoa não está assim, ela é assim”, ou seja, os sintomas se confundem com o jeito de ser do individuo. É como se fosse uma depressão muito leve, com baixo grau de sintomas, porém os mesmos são crônicos, o que faz o diagnóstico ser grave,  pois em longo prazo a vida acaba sendo prejudicada em relação às esferas afetiva, interpessoal, social e familiar.                         Os sintomas mais freqüentes que caracterizam a distimia são: pessimismo, apatia, baixa  energia e motivação, desinteresse por atividades prazerosas, dificuldade de concentração, desesperança, queixas, crítica, baixa auto-estima, investimento na esfera profissional e afastamento das atividades relacionadas à  vida afetiva, familiar e social. Geralmente a pessoa com distimia tem características obsessivas, é perfeccionista e evitativa ( evita pessoas e situações ). O foco é concentrado na atividade profissional, sendo aquela pessoa que aparentemente não apresenta problemas  nas outras áreas da vida, pois se relaciona de forma superficial e com um certo distanciamento emocional.                                 Nem sempre os pacientes e familiares, percebem a presença de um transtorno, pois os sintomas são mascarados pela idéia de que este é o jeito de ser da pessoa.  Pelo fato da pessoa “ ser assim” e não “ estar assim”  , a maior dificuldade implica na consciência da existência de um transtorno de humor e conseqüentemente a procura espontânea pelo tratamento adequado. Desta forma, é possível para o  distímico, viver uma vida inteira, sem que seja identificado e diagnosticado o transtorno distímico.                                                                                                       A distimia geralmente tem inicio precoce, ou seja, os primeiros sintomas surgem na infância ou adolescência, havendo sempre a presença de comorbidades ( outros transtornos ) e estressores . Na adolescência, o transtorno  é associado o abuso de substâncias, automutilação,  transtornos alimentares e de ansiedade. Na idade adulta e velhice, os estressores psicossociais apresentam maior relação com os transtornos depressivos.  Entre os estressores psicossociais estão: baixo suporte social desestrutura familiar, história de abuso e negligência na infância, perdas, mudanças, conflitos, entre outros. Em relação à genética, filhos de pais alcoolistas ou com história de transtorno de humor, são mais propensos à distimia. Entre as comorbidades, os episódios depressivos ( depressão maior) estão associados, neste caso, o diagnóstico passa a ser denominado “ depressão dupla”.                           A sintomatologia crônica  é a  responsável pela deficiência do treinamento de habilidades sociais nas diferentes esferas da vida. A importância do diagnóstico precoce e o tratamento adequado é importante para a melhora em relação qualidade de vida.  A distima ainda é uma doença de difícil diagnóstico em virtude de suas comorbidades, traços de personalidade, bem como  semelhança em relação à sintomatologia da depressão maior. Para que o diagnóstico seja considerado válido é preciso determinar a estabilidade e freqüência dos sintomas  ao longo do tempo. Identificado o diagnóstico do transtorno distimico, a doença é passível de tratamento que deve  incluir medicação e psicoterapia.                             A terapia cognitivo comportamental  trabalha as habilidades para resolução de problemas, reestruturação cognitiva, modificação das crenças disfuncionais,  ( enfatizando o processo de racionalidade), ativação comportamental , bem como os aspectos relacionados ao diagnóstico e tratamento através da psicoeducação . O tratamento farmacológico de escolha implica na medicação antidepressiva, sendo que de acordo com os estudos, 50%  a 60% dos pacientes obtêm resultados positivos. Apesar das especificações acerca dos critérios ainda permanece sendo uma doença pouco identificada em virtude da complexa sintomatologia e controvérsias sobre ser um quadro clínico passível de diagnóstico e tratamento ou um transtorno de personalidade.

 

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