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Preciso de terapia?

É muito comum questionamentos por parte das pessoas que desejam iniciar terapia ou até mesmo pacientes iniciantes, sobre suas motivações e necessidades em relação ao fazer ou não psicoterapia.  Pacientes mais intermediários também não estão isentos desta condição, pois existem momentos na psicoterapia caracterizados pelo alívio dos sintomas que podem ser facilmente confundidos com o processo de alta. Neste texto, vou focar no primeiro grupo mencionado, ou seja, aqueles com interesse na terapia ou pacientes iniciantes, com o objetivo de auxiliar estas pessoas nesta tomada de decisão que sem dúvida requer elaboração a partir de necessidades conscientes ou inconscientes.

Em primeiro lugar é importante entender a finalidade do processo terapêutico para que a pessoa saiba o que está buscando e se sua perspectiva pode ser atendida através deste recurso. A psicoterapia é um recurso terapêutico que tem como objetivo auxiliar a pessoa que busca ajuda a  lidar com suas questões de natureza pessoal, emocional,  afetiva, comportamental, familiar, social e profissional, removendo ou aliviando sintomas, amenizando o sofrimento desencadeado por conflitos psicológicos , crises relacionadas ao ciclo vital ou alguma desordem provocada por dificuldades ou problemas externos. A finalidade é a construção de uma boa relação consigo mesmo e com as outras pessoas. Desta forma, a pessoa  pode optar pela psicoterapia por julgar que algo não está bem em sua vida ( ou consigo), vive alguma situação que não consegue superar sozinha entendendo ser necessário o auxilio psicológico, por questões específicas e pontuais ( interna ou externa ) ou  simplesmente visando  o autoconhecimento.

Não existe necessidade maior ou menor e sim o desejo de cada um em iniciar ou permanecer em terapia.  O que não se pode fazer é forçar uma pessoa a buscar auxilio psicológico. Muito dificilmente dá resultados a psicoterapia forçada, pois a pessoa já entra com resistência e certamente não vai interagir com o terapeuta devido à indisponibilidade interna para trabalhar suas questões. Ocorre também do paciente ingressar na terapia com questões bem pontuais relacionadas  a estressores ( eventos externos ) e logo quando os mesmos se resolvem , seja por causas naturais ou interferência terapêutica o paciente sente-se bem , com alívio imediato de seus sintomas e sofrimento. Neste caso cabe ao terapeuta auxiliar o mesmo na busca por novos focos e objetivos terapêuticos e se o paciente não desejar, deve ser considerada a possibilidade de alta.

As psicoterapias focais ou breves  consideram a alta terapêutica assim que os sintomas são aliviados , as dificuldades manejadas e estressores resolvidos. Existem diferentes abordagens com diversidades de técnicas que vão desde uma psicoterapia breve até longo prazo. Algumas abordagens entendem  que cabe ao terapeuta explorar demanda terapêutica ( necessidades, dificuldades e focos ) , auxiliando o paciente neste entendimento e engajamento no processo terapêutico. Esta exploração ocorre através de perguntas estratégicas abertas realizadas pelo terapeuta, cujo objetivo é auxiliar o paciente a falar ao máximo o que sente e pensa em relação as suas questões, áreas da vida, dificuldades e  comportamentos prejudiciais , visando refletir sobre a necessidade de alguma mudança. Esta técnica chama-se entrevista motivacional sendo indicada para pacientes que iniciam a psicoterapia ambivalentes em relação a mudança. Não existe certo ou errado, mas  sim a escolha da melhor abordagem e técnicas a serem utilizadas de acordo com o paciente. Cabe ao  terapeuta buscar  fazer o seu melhor para auxiliar o paciente em suas necessidades, respeitando seus desejos e perfil.